Bolieiro alerta que montante de fundos é irrepetível e pede reflexão sobre o pós-PRR
24 de out. de 2024, 15:47
— Lusa/AO Online
“Estamos
plenamente conscientes de que não é repetível o acesso da região a um
tão considerável volume de fundos comunitários como o atual. É, por
isso, o momento de, conjuntamente e desde já, avaliar as medidas em
curso e pensar que Açores teremos e que Açores queremos ter no pós-PRR”,
declarou José Manuel Bolieiro.O líder do
executivo açoriano falava no Teatro Micaelense, em
Ponta Delgada, na assinatura da revisão do Acordo de Parceria 2023-28,
subscrito pelo Governo Regional e por seis organizações.Bolieiro
aludia a uma das intenções previstas naquele acordo, que defende a
“promoção de uma reflexão alargada sobre a exequibilidade financeira da
continuidade temporal de diversas medidas em implementação através do
PRR e, de forma mais global, sobre o modelo de desenvolvimento” dos
Açores.O chefe do executivo açoriano
realçou que o acordo “constitui uma demonstração clara dos resultados de
um processo de diálogo construtivo e contínuo” com os parceiros
sociais.“O documento que hoje firmámos
resulta de um processo de concertação, onde em alguns casos conseguimos
encontrar o mínimo denominador comum de interesses, em muitos casos
divergentes e noutros aumentámos a ambição dos nossos compromissos”,
destacou.Entre os 36 objetivos previstos
no acordo, Bolieiro destacou os de reter jovens na região, reduzir
fenómenos de exclusão, pobreza e precariedade laboral, proteger a
biodiversidade marinha e promover a “competitividade e a resiliência”
das empresas regionais.“É um acordo aberto
e plural. Em qualquer momento poderá ser subscrito por outros
parceiros, que nele se revejam e expressem vontade nesse sentido.
Coração aberto às associações defensoras da causa ambiental”, declarou.Já
o presidente do Conselho Económico e Social dos Açores (CESA), Gualter
Furtado, lembrou que o Acordo de Parceria teve origem na comissão de
concertação social daquele conselho e alertou para a necessidade de
existir “cada vez mais informação estatística de qualidade”.Da
parte da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita reiterou a
necessidade de requalificar os caminhos agrícolas e de assegurar um
“melhor aprovisionamento de água”.O
presidente da Câmara do Comércio dos Açores, Mário Fortuna, realçou os
aumentos salariais que têm vindo a ser registados na região e defendeu a
importância de existirem instituições “mais inclusivas”: “Este acordo
não é para teatro político”, avisou.Manuel
Pavão, da UGT/Açores, reivindicou respostas para “retirar os Açores dos
piores indicadores sociais, como a pobreza, a desigualdade e o abandono
escolar precoce”.Assinaram ainda o
documento a Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras
Públicas dos Açores (AICOPA), a União Regional das Instituições
Particulares de Solidariedade Social dos Açores (URIPSSA) e a União
Regional das Misericórdias dos Açores (URMA).A
revisão do Acordo de Parceria dos Açores, que foi assinada esta quinta-feira,
passando a incluir instituições representativas da construção e setor
social, prevê também a transformação do Hospital Divino Espírito Santo
(HDES) num “hospital novo”.