Bolieiro acredita que o “bom senso vai prevalecer” pela estabilidade nos Açores
17 de mar. de 2023, 16:36
— Lusa
“Creio
que o bom senso há de prevalecer e todos os que têm responsabilidades
institucionais, não pelo protagonismo pessoal, mas pelo reconhecimento
do interesse comum e público, naturalmente aportam, sobretudo, uma boa
influência pela estabilidade”, afirmou.Bolieiro,
que falava à margem de uma visita a um centro médico em Ponta Delgada,
respondia aos jornalistas após ter sido questionado sobre a posição do
Representante da República (RR) para os Açores, que alertou o deputado
da IL e o independente Carlos Furtado para a importância da
“estabilidade política”.O presidente do
Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) realçou ainda a necessidade de
“minimizar os impactos negativos” das crises inflacionista e da guerra
na Ucrânia.“Se cuidarmos das crises reais e evitarmos as artificiais já é um bem público que alcançamos”, declarou.Sobre
se o RR devia ter tido uma posição pública após IL e independente terem
rompido o acordo que dava aos partidos que suportam o executivo maioria
absoluta no parlamento regional, o governante considerou que os
“primeiros responsáveis” em “despoletar uma crise pela instabilidade”
são os partidos políticos.“O primeiro
responsável é sempre aquele que pode espoletar uma crise pela
instabilidade e isso está no domínio dos partidos políticos. Esses é que
devem ser os primeiros a considerar qual o seu papel na democracia e na
estabilidade política governativa”, destacou.Bolieiro exemplificou que os partidos podem promover a estabilidade não apresentando uma moção de censura ao Governo Regional.“O
parlamento dos Açores pode promover a estabilidade, não criando, desde
logo através de instrumentos que estão previstos e que são democráticos,
por exemplo, uma moção de censura. Portanto, são todos
corresponsáveis”, vincou.Numa carta datada
de 10 de março, enviada pelo RR à IL, a que agência Lusa teve acesso,
Pedro Catarino revela ter tomado a “devida nota da decisão tomada” pelo
deputado liberal Nuno Barata em “denunciar o acordo de incidência
parlamentar” com o PSD.Pedro Catarino diz
ainda estar “convencido de que a IL continuará a ter em conta tais
valores na sua participação nos trabalhos da Assembleia Legislativa”,
referindo-se à estabilidade política.Contactado
pela agência Lusa, o deputado independente, Carlos Furtado, confirmou
que o RR na missiva que lhe dirigiu também alertou para os “valores da
estabilidade política” e do “regular funcionamento dos órgãos do poder
regional”.A 08 de março, o deputado único
da IL no parlamento açoriano, Nuno Barata, rompeu o acordo de incidência
parlamentar de suporte ao Governo dos Açores, chefiado pelo
social-democrata José Manuel Bolieiro, e depois o independente Carlos
Furtado, ex-Chega, também rompeu com esse acordo.Na
sexta-feira, os dois deputados admitiram negociar “ponto a ponto” com o
Governo dos Açores para manter a estabilidade governativa na região.Os
três partidos que integram o Governo Regional (PSD, CDS-PP e PPM) têm
26 deputados na assembleia legislativa e contam agora apenas com o apoio
parlamentar do deputado do Chega, José Pacheco, somando assim 27
lugares num total de 57, pelo que perdem a maioria absoluta.