"Blue Azores" vai aumentar área marinha protegida nos Açores
28 de fev. de 2019, 21:30
— Lusa/AO Online
No
mar dos Açores, que representa 55% do território marítimo português,
numa extensão superior a um milhão de quilómetros quadrados, cerca de 5%
do território já está protegido, embora grande parte dessas áreas não
tenha regulamentação para a pesca e outras atividades com impactos.Com
a implementação do programa “Blue Azores”, assume-se o compromisso de
aumentar essas áreas para 15% da ZEE da região, acrescentando cerca de
150 mil quilómetros quadrados à área atual.A
iniciativa visa a “conservação e utilização sustentável dos recursos
naturais dos Açores”, através da criação de áreas marinhas protegidas, e
irá ser desenvolvida e implementada nos próximos três anos, explica o
documento de apresentação do projeto, divulgado à comunicação social.A
delimitação das novas áreas marinhas tem por base os resultados de duas
expedições científicas, uma realizada pela Fundação Waitt, em 2016, que
estudou ou ecossistemas do grupo oriental, e a segunda, a cargo da
Fundação Oceano Azul, que “permitiu ter uma visão global sobre os
ecossistemas costeiros, de mar aberto e de profundidade, na área central
e ocidental do arquipélago”, a par de outros estudos científicos em
curso.Até
2022, espera-se ainda que sejam desenvolvidos e implementados planos de
gestão para todas as áreas marinhas da região, um plano de ordenamento
do espaço marinho e estudos e abordagens inovadoras, que contribuam para
uma gestão sustentável das pescas”.O
projeto pretende também apoiar processos científicos que contribuam
para a identificação de novas áreas de interesse para a conservação e
promover a literacia azul, com iniciativas junto de escolas e da
comunidade.Com
este programa espera-se preservar os ecossistemas marinhos, dos quais
dependem vários setores da economia açoriana, protegendo-os das ameaças
provocadas pela sobrepesca, alterações climáticas e poluição, e
procurando “um paradigma de sustentabilidade no qual o desenvolvimento
económico e a conservação do oceano andem de mãos dadas”, explica a
informação disponibilizada.Neste
sentido, será promovida “a cogestão com os pescadores locais, com vista
a aumentar a sustentabilidade das pescas, valorizar o pescado e
sensibilizar a comunidade piscatória para a conservação do oceano”.As
convenções internacionais ditam que até ao próximo ano 10% do oceano
seja designado como área marinha protegida e que em 2030 a meta
alcançada seja de 30%, mas, atualmente, menos de 5% da área global de
oceano está designada como área marinha protegida, dos quais apenas 1% a
2% “estão totalmente protegidos em reservas marinhas eficazes”.A
criação destas áreas protegidas tem benefícios comprovados para a
preservação dos ecossistemas, mas também para uma economia do mar
sustentável, com efeitos demonstrados no combate aos efeitos das
alterações climáticas, como o branqueamento de corais, ou no aumento das
reservas de pescado, com mais e maior peixe.Em
Portugal, existem 71 áreas marinhas protegidas, que representam cerca
de 4% das águas da ZEE nacional, a maioria com um nível de proteção
moderada, que permite a utilização de várias artes de pesca e de outras
atividades com impacto nos ecossistemas.