Bloco não inverte queda, falha objetivo em Lisboa e perde mandato no Porto
Autárquicas
13 de out. de 2025, 10:40
— Lusa/AO Online
O BE partia para estas eleições com o objetivo de reforçar a sua presença autárquica - cinco vereadores e 94 deputados municipais - e recuperar do desaire das legislativas de maio, através de uma prioridade dada a coligações com outras forças de esquerda em dezenas de concelhos do país, mas, embora a coordenadora reforce que a estratégia foi “positiva”, o partido voltou a cair nas urnas.Uma das principais apostas dos bloquistas foi em Lisboa, como parte da coligação com PS, Livre e PAN encabeçada pela socialista Alexandra Leitão, que acabou derrotada. Apesar da confiança dos membros da aliança nos últimos dias, que foram repetindo que a vitória seria de Leitão, os lisboetas voltaram a dar a vitória à coligação liderada pelo PSD, que permitirá a Carlos Moedas manter-se à frente da autarquia.Também no Porto, o BE ficou muito aquém do que esperava, com o independente Sérgio Aires, vereador eleito pelo Bloco em 2021, a ficar longe de repetir o resultado conseguido há quatro anos (6,25%, mais de seis mil votos) e, por isso, a falhar a reeleição para o executivo municipal. Este ano, teve apenas 1,81% (2.082 votos).Os bloquistas concorreram também coligados com o PS em Ponta Delgada e Albufeira, ficando em terceiro lugar nos dois concelhos. No município açoriano, a coligação PS/Livre/BE/PAN teve 17,95% dos votos, e no concelho do Algarve, onde venceu o Chega, a coligação formada pelos mesmos partidos ficou pelos 18,56%.Noutras câmaras, o BE apostou em nomes fortes do partido como o antigo deputado José Manuel Pureza em Coimbra, que ficou em quinto lugar com apenas 2,86% dos votos, e o ex-líder parlamentar Pedro Filipe Soares, em Matosinhos, que teve apenas 1.182 votos, correspondentes a 1,54%.A nível nacional, através de listas próprias, o Bloco de Esquerda elegeu, até ao momento, cinco deputados municipais, um número muito inferior aos 94 conseguidos nas eleições de 2021, quando optaram por concorrer com apenas duas coligações. Porém, é expectável que o número de representantes bloquistas em assembleias municipais seja maior devido à presença em dezenas de coligações por todo o país.Na sede do partido, horas antes de contados todos os votos, Mortágua já admitia que o BE tinha conseguido um resultado “modesto”, mas mostrou-se positiva sobre a opção de priorizar coligações de esquerda em dezenas de autarquias, apesar dos resultados terem demonstrado que, argumentou, “há uma continuidade do ciclo de viragem à direita que vinha das eleições legislativas”.Após uma campanha marcada pela sua ausência, devido à presença numa flotilha humanitária rumo a Gaza, que acabou detida por Israel, Mariana Mortágua recusou o impacto negativo dessa decisão, argumentando que o partido teve “muitas pessoas muito qualificadas para o representar” e que é uma vantagem “ter mais vozes e mais caras” a dar a cara pelo Bloco.A líder do partido garantiu ainda que os órgãos do BE reunirão para uma análise aprofundada dos resultados, e assegurou que a própria abordará os resultados de forma mais detalhada nos próximos dias, após a contagem de todos os votos.A noite eleitoral na sede nacional do Bloco de Esquerda, em Lisboa, ficou marcada por silêncio e calma quase total, apenas interrompidos pela intervenção da líder Mariana Mortágua para encerrar a noite. Apesar da pouca adesão de membros do partido, marcaram presença os históricos bloquistas Francisco Louçã e Fernando Rosas.Ao princípio da noite, mais de uma dezena de militantes preenchiam parte da sede, uma presença humana que se foi dissipando ao correr da noite, com a sala a voltar a compor-se, embora com pouco mais de uma dezena de pessoas, quando se ouviu o discurso de Mariana Mortágua.