Bloco de Esquerda diz que Governo faz “políticas de favor” às petrolíferas

24 de set. de 2022, 22:42 — Lusa /AO Online

“O BE sabe que a resposta à inflação, como a resposta à crise climática, exige uma política que continue a não ser de favor para as petrolíferas e que, pelo contrário, possa cobrar pelo que andam a ganhar a mais para apoiar os setores que mais precisam de apoio”, defendeu.Catarina Martins falava aos jornalistas à margem de uma visita ao Mercado dos Produtores de Viseu, a propósito das queixas que ouviu sobre os “elevados preços” dos combustíveis e dos fertilizantes usados na agricultura.“Não se pense que é um problema de outros países. António Guterres falava dos biliões de lucros das grandes petrolíferas, mas eu lembro que em Portugal, no último semestre, a Galp apresentou mais de 153% de lucros num semestre”, apontou.A líder bloquista lembrou as palavras, esta semana, do secretário-geral da ONU, António Guterres, que dizia que “as petrolíferas têm ganhado dinheiro como nunca e estão a fazê-lo à conta de um povo e dos povos que empobrecem e estão a fazê-lo à conta do planeta”.“E apelava à tributação dos lucros excessivos para que o que fosse tributado desses lucros excessivos servisse para apoiar as populações que mais sofrem com os aumentos dos preços e servisse também para fazer os investimentos necessários, as mudanças necessárias, face à transição climática”, destacou.Neste sentido, disse que “a inflação não é um problema para todos, há uns poucos que estão a ganhar muito” e, por isso, defendeu que “fazer a taxação dos lucros excessivos para apoiar quem está a sofrer tanto é uma urgência”.“E o Governo é um dos que mais nega a evidência de ser necessário de colocar as petrolíferas no sítio”, acusou Catarina Martins enquanto destacava a notícia, esta sexta-feira, do “excedente orçamental no primeiro semestre” do ano.A dirigente sublinhou que “o país não tem défice” uma vez que “teve excedente no primeiro semestre do ano, enquanto quem vive do seu trabalho está aflito a contar os tostões para comprar os bens básicos de que precisa para por à mesa”.“Enquanto as escolas não têm condições, enquanto falta tudo na saúde, o país teve excedente. É uma resposta à crise feita pelo empobrecimento dos serviços públicos e de quem vive do seu trabalho”, apontou a bloquista.Catarina Martins disse ainda que tudo isto acontece “num cenário de acordo entre o PS e a direita” o que, reconheceu, “não é um cenário novo, mas é um cenário a que Portugal não se pode resignar”.“Não podemos aceitar que haja gente a fazer tantos lucros com a crise, que as contas públicas estejam até a engrossar com a inflação e ao mesmo tempo os salários fiquem estagnados, que as pensões não tenham o aumento que deviam ter, falte tudo nos hospitais, falte tudo nas escolas”, defendeu.Ou seja, acrescentou, “este é um projeto que ataca Portugal e é preciso, naturalmente, pautar por uma outra forma de responder à crise” que no seu entender “é possível e esse é o caminho” pelo qual o BE lutará “incansavelmente”.