Bispos lembram em Fátima vítimas de abuso no seio da Igreja
20 de abr. de 2023, 06:26
— Lusa/AO Online
Depois
de José Ornelas, reeleito esta semana na liderança da Conferência
Episcopal Portuguesa (CEP), ter reconhecido na segunda-feira que os
casos de abuso sexuais de menores ocorridos no seio da Igreja têm
constituído “um percurso doloroso para todos”, hoje o episcopado vai
lembrar as “pessoas que foram vítimas de qualquer espécie de abusos,
para que encontrem em Cristo ressuscitado a cura das suas feridas e a
coragem para uma vida nova”.Na Oração
Universal, que decorre a partir das 11h00, na Basílica da Santíssima
Trindade, em Fátima, será também dirigida uma palavra aos familiares,
“para que sejam uma presença de conforto e de ambiente seguro, e ajudem
na recuperação da dignidade humana”.“Nunca
é demais renovar o pedido de perdão e o sentimento de profunda gratidão
para com todos os que deram ‘voz ao silêncio’ e tiveram a coragem de
denunciar aquilo que nunca lhes deveria ter acontecido”, disse José
Ornelas no discurso de abertura da Assembleia Plenária da CEP, que hoje
termina em Fátima.O também bispo de
Leiria-Fátima acrescentou no entanto que “reconhecer, pedir perdão e
agradecer só têm sentido na medida em que são acompanhados de decisões e
ações concretas para transformar a realidade”.É
neste contexto que surge um novo Grupo de Acompanhamento das vítimas,
que será liderado pela psicóloga Rute Agulhas e que dará continuidade,
em certa medida, ao trabalho efetuado pela Comissão Independente para o
Estudos dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica
Portuguesa, que apresentou o seu relatório final em 13 de fevereiro.Ao
longo de quase um ano, a Comissão Independente liderada pelo
pedopsiquiatra Pedro Strecht, validou 512 dos 564 testemunhos recebidos,
apontando, por extrapolação, para um número mínimo de vítimas da ordem
das 4.815.Na sequência destes resultados, algumas dioceses afastaram cautelarmente do ministério alguns padres. José
Ornelas anunciou que este grupo “deverá ter a autonomia necessária para
acolher e acompanhar as vítimas e para assegurar o necessário apoio e a
possível recuperação dos danos por estas sofridos, dispondo de uma
linha de atendimento e de condições para o contacto e acompanhamento
pessoal”.