Bispo do Porto considera hediondos e inqualificáveis casos de abuso sexual
16 de fev. de 2023, 08:34
— Lusa/AO Online
A
posição de Manuel Linda é dada a conhecer numa declaração publicada na página da Internet da diocese, na qual afirma: “sofro e choro
pelas vítimas de atos que são absolutamente hediondos, inqualificáveis, e
que têm de ser combatidos com toda a nossa energia”.Referindo-se
ao Relatório da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais
de Crianças na Igreja Católica em Portugal, divulgado na segunda-feira, o
bispo do Porto diz que o resultado deste estudo demonstra “a
oportunidade e a urgência da criação da Comissão Independente por parte
da Conferência Episcopal Portuguesa, já que, ao contrário do que se
imaginava, as vítimas não estavam a recorrer às Comissões Diocesanas
para o Cuidado dos Frágeis”.“Mesmo que,
por vezes, no passado, não tenha utilizado a linguagem mais apta para
exprimir o que sinto e penso, tudo farei para punir e pôr cobro a este
flagelo. Nós, homens e mulheres da Igreja, que entregámos a nossa vida
para servir o próximo, não podemos aceitar que os comportamentos de
alguns clérigos ponham em causa os mais básicos valores da fé cristã”,
considera.Manuel Lima diz ainda saber que
“o pedido de perdão às vítimas, não chega, não resolve, nem apaga os
atos hediondos do passado”. “Não obstante, é o mínimo que, neste momento, posso fazer, mais uma vez, em nome desta Diocese do Porto”, escreve.O
bispo do Porto acrescenta que cumprirá “exemplarmente” as normas
emanadas da Conferência Episcopal Portuguesa e da Santa Sé,
relativamente a este assunto. “A Diocese
do Porto já deu e continuará a dar passos no sentido de erradicar todo e
qualquer género de abusos cometidos sobre menores e frágeis.
Pessoalmente, tudo continuarei a fazer para que estes casos jamais se
voltem a repetir”, frisa.O relatório da
Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais na Igreja recebeu
512 testemunhos validados, o que permitiu a extrapolação para a
existência de, pelo menos, 4.815 vítimas, tendo sido enviados 25 casos
para o Ministério Público. Os dados
revelaram que 97% dos abusadores eram homens e em 77% dos casos padres,
além de que em 47% dos casos o abusador fazia parte das relações
próximas da criança.A Conferência Episcopal Portuguesa vai tomar posição sobre o relatório a 03 de março, em Fátima.Os
abusos sexuais revelados ao longo de 2022 abalaram a Igreja e a
sociedade portuguesa, à imagem do que ocorreu com iniciativas similares
em outros países, com alegados casos de encobrimento pela hierarquia
religiosa a motivarem pedidos de desculpa.O
distrito de Lisboa concentra o maior número de casos (120), seguindo-se
os distritos do Porto (64 casos) e de Braga (55 casos), Santarém (26
casos), Aveiro (24 casos), Leiria (21 casos), Coimbra (19 casos),
Setúbal (18 casos), Viana do Castelo (15 casos), Viseu e a Região
Autónoma da Madeira (14 casos), Bragança (13 casos), Évora e Guarda (12
casos) e Castelo Branco (11 casos). Os restantes distritos do país apresentam menos de 10 casos.