Bispo de Viana do Castelo pede desculpa pelo caso do pároco que abusou de menor
24 de jan. de 2023, 13:54
— Lusa/AO Online
João
Lavrador, que preside à Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e
Comunicações Sociais, falava aos jornalistas no final de uma sessão de
apresentação da mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da
Comunicação Social “Falar com o Coração”.O
bispo afirmou que, assim que tomou conhecimento dos factos, afastou o
pároco e encaminhou o processo internamente e também para o Ministério
Público.João Lavrador disse ter chamado de
imediato, tanto a vítima, como o agressor, confrontando-o “com a
realidade”, tendo disponibilizado “todos os meios para ajudar [a vítima e
a família] naquilo que seja possível e que seja pedido”.Segundo
o bispo, o padre “assumiu imediatamente o problema”, tomando a decisão
de se afastar de todas as funções, o que “facilitou o processo”.“Espero
que ele até já esteja fora das paróquias”, declarou, adiantando que
espera mandar nos próximos dias “uma carta aos paroquianos que ele
serviu” para pedir “desculpa e perdão” pela “preocupação muito grande de
verem que afinal alguém que esteve à sua frente os enganou”.“Agora,
claro, isto não evita em primeiro lugar, a dor, o sofrimento que é meu,
que é da diocese, que é das paróquias onde ele serviu, porque se sentem
defraudadas”, declarou.João Lavrador
afirmou que uma coisa foi “experimentar racionalmente”, de forma
“intelectual”, o problema dos abusos no seio da igreja católica, outra é
sentir “a dor, o sofrimento, na realidade”.Para
o bispo, o facto de o caminho estar “bem delineado”, definindo os
procedimentos a adotar, permitiu o encaminhamento imediato do processo.A
diocese de Viana do Castelo anunciou na segunda-feira, em comunicado,
ter "proibido" um padre de Monção de exercer o sacerdócio depois de este
ter confirmado um caso de abuso sexual de menor, conhecido através de
“uma denúncia”, comunicada "às autoridades civis e canónicas
competentes".Segundo o comunicado,
confrontando com os indícios apresentados, o pároco de várias freguesias
de Monção "confirmou os factos de que é acusado e comunicou a sua
decisão de se afastar do exercício das suas funções"."A
diocese informa, igualmente, que, tendo em vista as normas do direito
canónico, o mesmo sacerdote se encontra proibido de exercer publicamente
o ministério", adianta a nota.No
documento, a diocese "partilha do profundo sofrimento da vítima e
família, sendo com enorme sentimento de vergonha que torna públicos
estes factos, desejando, também, exprimir o maior afeto e cuidado às
comunidades paroquiais até agora confiadas" ao pároco."Nesta
circunstância particular, a diocese de Viana do Castelo quer reforçar o
desejo de ser um ambiente seguro e um espaço onde se possa dar voz ao
silêncio, pedindo, ainda, todo o esforço, coragem, confiança e oração à
comunidade diocesana, neste momento especialmente doloroso", refere a
nota.O padre ministrava nas paróquias do
Divino Salvador de Cambeses, Santa Maria de Abedim, Nossa Senhora das
Neves de Bela, São João Baptista de Longos Vales, São João Baptista de
Portela e São Miguel de Sago e, era assistente dos convívios fraternos,
em Monção.