Bispo de Leiria-Fátima apela a consensos para proteger os pobres face à crise
12 de out. de 2022, 17:03
— Lusa/AO Online
“Que
os mais pobres não sejam eles, de novo, a pagar a fatura do que estamos a
viver”, disse José Ornelas em conferência de imprensa no âmbito da
peregrinação de 12 e 13 de outubro ao Santuário de Fátima.O
prelado, que é também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa
(CEP), assegurou que este “é um tema que a Igreja acompanha, preocupada
com os mais pobres”.José Ornelas, que
aludiu a 2022 como “um ano marcado por acontecimentos complicados a
nível mundial”, destacando a guerra na Ucrânia, que “põe em causa não só
a segurança dos ucranianos, como dos povos vizinhos”, frisou que “em
Fátima, o tema da paz, da preocupação com o mundo e o seu futuro” está
sempre presente.O bispo abordou ainda a
caminhada sinodal que a Igreja Católica está a viver, e que culminará no
Vaticano no próximo ano, caracterizando-a como “um movimento de
mudança”.No encontro com os jornalistas,
participou também o reitor do Santuário de Fátima, Carlos Cabecinhas,
que apresentou os números da afluência de grupos organizados ao templo
mariano desde janeiro.Segundo o reitor,
“até final de setembro foram 2.133 os grupos de peregrinos” registados
no Santuário, 1.340 dos quais estrangeiros, o que significa um aumento
de mais de um milhar de grupos em relação a todo o ano de 2021.“Outubro
é para os estrangeiros o mês de maior presença no Santuário”, adiantou
Carlos Cabecinhas, apontando Espanha, Polónia e Itália como os três
países de com maior presença na Cova da Iria.Já os grupos asiáticos registam, ainda, “números longe dos registados no período pré-pandemia”.Carlos
Cabecinhas aproveitou a ocasião para abordar, também, a próxima Jornada
Mundial da Juventude (JMJ) e a participação que o Santuário quer ter
nessa grande iniciativa que congregará jovens de todo o mundo em Lisboa,
em agosto do próximo ano, e que será encerrada pelo Papa.“O
Papa estará em Fátima em 2023. Virá no contexto da JMJ, ainda sem data
concreta”, disse o reitor, acrescentando que o Santuário está a preparar
um conjunto de iniciativas para o período que precede e se segue à
Jornada.Em maio, a peregrinação de 12 e 13
contará com a presença dos símbolos da JMJ - a cruz peregrina e o ícone
de Nossa Senhora Salus Populi Romani –, ao mesmo tempo que está a ser
preparada uma “aldeia jovem”, que funcionará no período imediatamente
antes e imediatamente após o encontro mundial de Lisboa.O
novo ano pastoral do Santuário de Fátima, a iniciar em 26 de novembro,
terá também como tema orientador a JMJ, com programação virada para os
jovens que por ali passarão nos próximos meses.Subordinado
ao tema da própria Jornada, definido pelo Papa Francisco – “Maria
levantou-se e partiu apressadamente" – o ano pastoral do Santuário vai
apresentar no seu itinerário “uma série de iniciativas pastorais e
logísticas, de forma a ser o lugar de encontro da juventude portuguesa e
mundial”, que participa na JMJ e que se apreste a fazer “a experiência
de um encontro com Deus através de Nossa Senhora”, informou o Santuário
de Fátima.“A partir do início do próximo
ano serão desenvolvidos workshops e diversas propostas de reflexão e
oração, em formato de itinerário do peregrino, com esquemas de oração e
vivência espiritual de Fátima”, adiantou o jornal Voz da Fátima,
especificando que haverá um programa de workshops, de cerca de 25
minutos cada, em torno de quatro temáticas: Adoração, Imaculado Coração,
Oração do Rosário e Sacrifício.Estes
encontros acontecerão ao longo do dia, em diferentes horas e espaços do
Santuário, em português, espanhol inglês e francês.Em
preparação está também o lançamento de seis caminhos para peregrinar a
Fátima, partindo de locais próximos, e com percursos entre os cinco e os
15 quilómetros.Caminhos com Santa Jacinta
Marto, com o Anjo da Paz, com a Senhora do Rosário, com a Irmã Lúcia de
Jesus, com o Imaculado Coração de Maria e com São Francisco Marto
compõem este programa de peregrinação.Lisboa
foi a cidade escolhida pelo Papa Francisco para a próxima edição da
Jornada Mundial da Juventude, que vai decorrer entre os dias 01 e 06 de
agosto de 2023, com as principais cerimónias a terem lugar no Parque
Tejo, a norte do Parque das Nações, na margem ribeirinha do Tejo, em
terrenos dos concelhos de Lisboa e Loures.As
JMJ nasceram por iniciativa do Papa João Paulo II, após o sucesso do
encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.A
primeira edição aconteceu em 1986, em Roma, tendo já passado por Buenos
Aires (1987), Santiago de Compostela (1989), Czestochowa (1991), Denver
(1993), Manila (1995), Paris (1997), Roma (2000), Toronto (2002),
Colónia (2005), Sidney (2008), Madrid (2011), Rio de Janeiro (2013),
Cracóvia (2016) e Panamá (2019).A edição
de 2023, que será encerrada pelo Papa, esteve inicialmente prevista para
este ano, mas foi adiada devido à pandemia de covid-19.