Bispo de Coimbra critica malfeitores que prometem paraísos aos mais pobres
Migrações
13 de ago. de 2024, 11:38
— Lusa/AO Online
“O
mundo tem notícia da existência de muitos rostos escondidos que, sem
escrúpulos, prometem paraísos aos mais pobres das periferias do mundo. E
por detrás de uns milhares de euros ou de dólares, aqueles rostos, que
inicialmente se apresentam como bons samaritanos, acabam por revelar-se
rostos de cruéis malfeitores, que abandonam homens, mulheres e crianças
caídos à beira do caminho ou então que os entregam à sua sorte nas vagas
do mar, sem esperança e sem futuro, prelúdio de morte ou, pelo menos,
de embate com a dura realidade que os espera na praia”, disse Virgílio
Antunes, no Santuário de Fátima.Na missa
de encerramento da peregrinação internacional de agosto, que integra a
peregrinação nacional do migrante e do refugiado, o também
vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa afirmou que a
atualidade “continua marcada pelas migrações de portugueses”.“Persiste
também nos nossos jovens a necessidade da mudança não desejada, seja
por motivo de estudo, de investigação, de trabalho em condições mais
favoráveis, de procura de realização mais adequada aos seus ideais de
vida”, adiantou Virgílio Antunes.Aos cerca
de 50 mil participantes na celebração, o prelado recordou que se há
imigrantes que escolhem o país “pelos mesmos motivos que levam os
portugueses a sair”, muitos outros fazem-no a “fugir dos flagelos da
pobreza ou da guerra e à busca de novas oportunidades de vida”,
alertando que para estes “o desenraizamento e a entrada numa realidade
nova são motivos de não poucas dificuldades”.“Também
os que chegam ao meio de nós têm de enfrentar a novidade do
desconhecido, do desconhecido em terra estrangeira que é sempre fonte de
apreensões e, não raro, de imensa solidão”, prosseguiu.Na
homilia, o bispo de Coimbra aludiu ainda à imagem da casa, para
sublinhar que esta “é a habitação digna e necessária, essencial à vida
da família”, mas significa também a “inserção na sociedade, o
acolhimento e o respeito mútuos”.“Quantas
vezes ouvimos dizer aos migrantes ‘já tenho casa, já tenho trabalho, já
conheço pessoas que estimo e que me querem bem, já estou integrado, já
me sinto em casa, já estou em casa’. Porém, sabemos também que aquilo
que se espera, por vezes, não acontece. A casa, a sociedade, torna-se
lugar de rejeição, a comunidade, às vezes, torna-se um lugar de
discriminação e o trabalho, frequentemente, torna-se um meio de
exploração”, destacou.O presidente da
peregrinação salientou ainda que todos precisam de uma luz e “a luz de
Deus vai à frente” e os seus reflexos “hão de ser as luzes dos homens,
mas também dos Estados, das organizações, das instituições que
acompanham, que protegem, que ajudam a rasgar horizontes de esperança
aos mais vulneráveis, como são os exilados, os refugiados e os
migrantes”.Sobre o santuário, onde foi
reitor, o bispo da Diocese de Coimbra assinalou que Fátima “continua a
ser para os migrantes reduto de fé, lugar de súplica e de gratidão”,
apelando à Virgem para ajudar a “acabar com as guerras” e “a construir
um mundo de paz”.Na missa, que está a ser
concelebrada por quatro bispos e 90 sacerdotes, cumpriu-se a tradição,
iniciada há 84 anos, da oferta de trigo. Segundo
o santuário, no ano passado, foram oferecidos 5.635 quilogramas de
trigo e 477 de farinha. Nesse ano, foram consumidas, aproximadamente,
13.539 hóstias médias, 410 hóstias grandes, 659 mil partículas e 480
partículas para celíacos.