Bispo de Angra exorta a que se viva a Páscoa todos os dias
Hoje 09:09
— Nuno Martins Neves
O Bispo de Angra afirmou que “precisamos de mais Páscoa. Mais Páscoa,
mais esperança”, durante a homilia do Domingo de Páscoa, celebrada ontem
na Sé de Angra. D. Armando Esteves Domingues exortou a que se viva a
Páscoa todos os dias do ano, e não apenas nesta altura.Segundo a nota
de imprensa publicada pela Igreja Açores, o Bispo de Angra partiu da
ideia central de que a Páscoa é a “passagem da morte para a vida” para
destacar que esta é a principal festa da fé cristã e deve ser vivida não
apenas uma vez por ano, mas em cada domingo e em cada gesto concreto de
amor ao próximo. Alertou, por isso, para a necessidade de recuperar o
sentido do domingo como encontro vivo com Cristo na Eucaristia,
lamentando a ausência de muitos cristãos dessa vivência essencial.“Falta
domingo na vida dos cristãos. Falta participar com entusiasmo e alegria
no encontro com Jesus Ressuscitado na Eucaristia”, afirmou.Aos
fiéis presentes na Sé de Angra, assim como a quem acompanhou a homilia a
partir de casa, D. Armando Esteves Domingues refletiu sobre os atos de
Jesus Cristo na Última Ceia, como o lava-pés, um exemplo de serviço aos
mais pobres e frágeis. Por isso, celebrar a Páscoa é, para o Bispo de
Angra, “ir todos os dias para a rua servir e cuidar”, dar corpo ao amor
cristão na sociedade.Perante um panorama internacional incerto, onde
as guerras e as crises ocupam o dia a dia de milhões, o prelado vê
desafios e fragilidades, mas também sinais de esperança e renovação.
Pois mesmo em tempos difíceis, há comunidades que persistem em responder
com solidariedade e bondade, num verdadeiro testemunho do sentido de
ser irmão, lê-se na Igreja Açores.Recordando como Maria Madalena e
os discípulos correram para o sepulcro, o Bispo de Angra diz que também
hoje os cristãos são chamados a “correr” ao encontro de outros, levando a
boa notícia da Ressurreição. “A fé cristã nasce na escuridão, não
na luz. É a escuridão que conhecemos quando uma casa fica vazia após um
luto, quando um médico pronuncia palavras que nos tiram o fôlego, quando
um filho se afasta e já não conseguimos falar com ele. Nesses momentos,
o coração torna-se um sepulcro fechado, e a esperança parece um luxo
para os outros” lembrou o prelado. E acrescentou, enfatizando: “A razão
não compreende, mas o amor ajuda o coração a abrir-se e a ver. A alegria
da Páscoa amadurece apenas no terreno de um amor fiel”.D. Armando
Esteves Domingues dirigiu, ainda, uma palavra aos leigos, exortando-os a
ser uma “presença ativa do Ressuscitado no mundo”, fazendo jus da
responsabilidade do batismo.“Quando todos os batizados se
aperceberem da enorme possibilidade e responsabilidade que lhes vem do
facto de serem batizados, não será mais necessário falar de
corresponsabilidade e de participação. Cada um viverá a fé de acordo com
os dons recebidos, porque é homem novo em Cristo”, disse, citado pela
Igreja Açores.A homilia terminou com um apelo a que todos deixem o
seu “túmulo interior” e reconheçam que a Ressurreição persiste aos dias
de hoje. “A vida recomeça verdadeiramente”, disse.