Bispo de Angra diz que República “precisa de olhar” de outra forma para os Açores
Hoje 14:55
— Lusa/AO Online
“Nós
[Açores] estamos classificados como uma região ultraperiférica, não é
apenas periférica, [é] ultraperiférica. E, isto, também é urgente que se
concretize em medidas próprias em defesa, às vezes de coisas simples,
como uma companhia aérea que nos possibilite a vinda do turismo, o
desenvolvimento, a mobilidade”, disse o prelado diocesano aos
jornalistas, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, à margem de um
encontro informal sobre o Dia Mundial das Comunicações Sociais.Armando
Esteves Domingues respondia a uma questão da agência Lusa a propósito
de assuntos que ultimamente têm sido abordados e que afetam a região,
como o Subsídio Social de Mobilidade e a saída, a 29 de março, da
companhia aérea de baixo custo Ryanair.O
bispo de Angra referiu que os Açores ainda não chegaram ao patamar de
serem “perfeitamente autónomos” na produção de riqueza e na
sustentabilidade.“Creio que estamos, e
temos percorrido nestes 50 anos de autonomia passos enormes, temos
conquistado tanto de um espaço e de afirmação e continuamos a afirmar
espaços também maduros de crescimento como a autonomia, mas a República,
efetivamente, precisa de olhar [de outra forma para a região]”,
afirmou.Armando Esteves Domingues disse que a situação também preocupa a Igreja.“Ainda
não conseguimos responder como queríamos a essas franjas de
injustiçados, a esta gente que, talvez, já por uma inércia de caminho,
se calhar por políticas que se foram transmitindo e que não foram tendo
muitos resultados, ainda não conseguimos superar essas franjas de
pobreza”, justificou.Acrescentou que há
indícios que apontam para alguma recuperação, mas “ainda não é
consolidada e isto, efetivamente, preocupa imenso também a diocese e
está envolvida nas suas estruturas e também nas suas formas de estar no
mundo, como sempre foi, de uma forma complementar, para que estas
franjas se sintam apoiadas”.Relativamente
ao Dia Mundial das Comunicações Sociais, o bispo de Angra referiu que a
mensagem do Papa Leão XIV “fala muito” no desafio “para salvar a
pessoa”, promovendo uma comunicação que construa pontes, favoreça a
verdade e reforce a dignidade humana.O
bispo açoriano salientou que o jornalismo é “cada vez mais decisivo” e
os jornalistas são cada vez mais importantes porque, no mundo atual,
onde proliferam as redes sociais e a desinformação, estes profissionais
fazem uma “interpretação autêntica da realidade”.No
encontro, o jornalista Osvaldo Cabral fez uma reflexão sobre o
contributo dos diversos Papas ao longo do tempo, tendo-se focado nas
mensagens sobre o Dia Mundial das Comunicações Sociais “mais importantes
e mais atuais”, abordando também os desafios que se colocam aos
jornalistas e aos órgãos de comunicação social no geral.