Bispo de Angra determina criação de Conselhos Pastorais em todas as paróquias até 2026
3 de out. de 2025, 15:30
— Lusa/AO Online
A
publicação da Carta Pastoral de Armando Esteves Domingues, intitulada
“Batizados na Esperança”, insere-se na caminhada pastoral que a diocese
de Angra inicia no domingo e prosseguirá até 2034.Segundo
uma nota da diocese, no documento, o prelado diocesano “traça as linhas
orientadoras para os próximos nove anos, centradas na esperança, na
corresponsabilidade e na construção de uma Igreja sinodal”.“Um
dos pontos mais determinantes deste documento é a obrigatoriedade de
todas as paróquias da diocese constituírem, até ao final do ano pastoral
de 2025/2026, os seus Conselhos Pastorais Paroquiais”, referiu.A
determinação, “assumida como prioridade estrutural do caminho sinodal
que se pretende trilhar, visa garantir que todas as comunidades cristãs
possam viver de forma mais concreta e representativa a dimensão da
escuta, da partilha e do discernimento em conjunto”.“Embora
o Código de Direito Canónico preveja o caráter consultivo destes
conselhos, o bispo de Angra reforça que a sua missão não pode ser
meramente formal. Devem ser verdadeiros espaços de participação e
corresponsabilidade, onde a voz do povo de Deus seja tida em conta nos
processos pastorais”, é salientado.A Carta
Pastoral determina que até ao fim do ano pastoral 2025/2026 “se
concretizem, em todas as paróquias e, em alguns casos específicos, zonas
interparoquiais e de ouvidoria, os respetivos Conselhos Pastorais,
estruturas básicas de corresponsabilidade eclesial e espaços
fundamentais de sinodalidade”.“Que os que
já existem se possam enriquecer com a presença de outros membros da
comunidade, mesmo não sendo do âmbito eclesial, para que o seu caráter
eminentemente representativo do povo de Deus seja eficaz”, escreve.Armando
Esteves Domingues apela à criação de Conselhos Pastorais com
representatividade efetiva, “capazes de integrar não só os agentes
pastorais habituais, mas também outros membros da comunidade, incluindo
representantes da piedade popular ou de movimentos e grupos que exprimem
a vivência concreta da fé no território”.Salienta
também que, em determinadas situações, estes conselhos poderão ser
interparoquiais ou a nível de ouvidoria, “adaptando-se à realidade
pastoral de cada zona”.Além disso, a Carta
Pastoral aponta para a possibilidade de leigos coordenarem e presidirem
a conselhos de âmbito intermédio, como os de ouvidoria ou zonas
pastorais, reforçando a necessidade de valorizar os carismas laicais e
promover uma cultura de participação efetiva. O
documento, com 14 páginas, “marca o início do designado Projeto
Pastoral Diocesano, que será desenvolvido ao longo de três triénios -
Anúncio (2025-2028), Caridade (2028-2031) e Celebração (2031-2034) -,
depois de uma longa auscultação das bases, iniciada em 1992, no
Congresso de Leigos, continuada na Caminhada Sinodal Diocesana entre
2018 e 2021 e já nestes dois anos do seu episcopado, através dos
Laboratórios”, segundo a diocese.O
contexto da publicação da Carta Pastoral do bispo de Angra é também
marcado pelo Ano Jubilar da Esperança, “que pretende reavivar a
confiança nas promessas de Deus, mesmo em tempos de incerteza”.