Bispo de Angra comandou subida ao topo do país para incitar jovens a tocar o céu
25 de jul. de 2023, 07:47
— Rui Pedro Paiva/Lusa/AO Online
“É uma sensação de liberdade. Uma sensação de
conseguir. Conseguir chegar cá cima. Conseguimos chegar todos. Nuns
momentos, animando, em outros sendo animado”, confessou, cerca das
00h00, o bispo Armando Esteves Domingues, quando o primeiro grupo chegou
ao topo da montanha do Pico.Ao todo, a
iniciativa designada “Mais Perto do Céu” juntou 129 pessoas (dos quais
116 jovens) no ponto mais alto de Portugal, entre jovens, voluntários da
JMJ e outras figuras do clero.“A verdade é
que temos cá dentro forças descomunais. Muito para além daquilo que
podemos pensar. A vida também é isto. No meio das dificuldades, também
temos forças que nos superam”, aludiu o Bispo de Angra e Ilhas dos
Açores.O primeiro percurso começou com
chuva e durou várias horas para atender ao ritmo dos diferentes
participantes, que escalaram os pedregulhos lávicos com vista panorâmica
para o oceano.Na reta final do caminho,
comprovando a imprevisibilidade climática dos Açores, o sol reluziu
forte, iluminando a rocha negra pontuada com verdura cintilante.“Toda
a terra é sagrada. É a dimensão do poder aqui contemplar a
magnificência da criação, essa obra criadora, que se descobre em cada
canto. A beleza extraordinária que se estende para lá dessas montanhas e
desse mar”, salientou o bispo, falando na cratera do Pico, com as
nuvens a seus pés.A maioria dos jovens são
provenientes do arquipélago (das nove ilhas, apenas três não estão
representadas), e, por isso, a presença de Helena de Souza, natural de
Timor Leste, é notada.“É uma experiência
verdadeiramente única. Também apresenta semelhanças com a minha cultura.
Nós fazemos atividades semelhantes porque temos atividades religiosas
no topo da montanha”, explica.A mulher de
41 anos, que já participou em quatro JMJ, escolheu passar os dias que
antecedem o evento em Lisboa na diocese de Angra do Heroísmo, na ilha
Terceira.“Angra foi a minha primeira
escolha. Escolhi porque a localização é afastada do continente. É uma
ilha que me está tratar muito bem e encontro semelhanças com a
meteorologia da minha terra natal”.Daniel
Ernesto de 24 anos, é natural dos Remédios da Bretanha, freguesia de
Ponta Delgada na ilha de São Miguel. Para ele, que está a tirar
engenharia eletrotécnica em Lisboa, a subida foi uma “excelente maneira
de conhecer melhor a sua terra”.“Achei a
ideia muito interessante. Nunca tinha subido a montanha. Foi a ocasião
ideal para isso. É uma oportunidade de conhecer pessoas novas, pessoas
de diferentes locais e com experiências diferentes. Para mim, isso é uma
grande oportunidade para diversificar o conhecimento”, declarou.Um
dos grupos pernoitou na cratera da montanha, o outro escalou de
madrugada, juntando-se para uma celebração ao nascer da manhã no cume de
Portugal.Para Luísa Sousa, natural da ilha Santa Maria, o mais “enriquecedor” da experiência é a “união” entre os jovens.“É
muito gratificante ver que os jovens ainda conseguem estar em
comunidade apesar da sociedade onde vivemos. O espírito das jornadas
começa aqui”, afirmou a estudante de 16 anos.No
fundo, a caminhada pretende demonstrar que “juntos é possível ir mais
longe e mais alto”, resume o Bispo de Angra: “Uma tentação vir cá cima,
mas também é a tentação de subirmos todas as montanhas da vida e não nos
deixarmos desanimar por elas”. Durante a
noite, existiram momentos de cânticos e outros de oração. Sob o céu
estrelado a refletir na escuridão ouviu-se em coro: “Quero subir à
montanha. Quero ouvir a tua voz. Quero a subir a montanha e falar
contigo a sós”.