Bispo Américo Aguiar quer todos a participarem no “desígnio nacional”
JMJLisboa2023
1 de ago. de 2022, 11:35
— João Luís Gomes/Lusa/AO Online
Américo Aguiar,
bispo auxiliar de Lisboa e presidente da Fundação JMJ Lisboa 2023, não
esconde o entusiasmo na sede da organização da Jornada, na antiga
Manutenção Militar, no Beato, em Lisboa.“Há
pressa no ar! é aquilo que diz o nosso hino (…) e é isso que sentimos”,
diz o prelado à agência Lusa, dando nota dos ecos da mobilização da
juventude portuguesa que tem estado a ser feita com a peregrinação pelas
dioceses dos símbolos da JMJ - a cruz peregrina e o ícone de Nossa
Senhora Salus Populi Romani.“Começou no
Algarve e já vamos na décima diocese, incluindo as ilhas. E para nós foi
particularmente importante o pormenor de termos conseguido, com a ajuda
da Força Aérea Portuguesa, a presença dos símbolos em todas as ilhas do
arquipélago dos Açores. Foi muito importante para nós. É uma prova
maior da coesão territorial do nosso país e do povo que somos”, afirma
Américo AguiarA um ano da jornada – a
realizar entre 01 e 06 de agosto -, sente-se “a pressa, uma pressa que
vai sendo ansiedade e uma pressa que vai sendo também aceitarmos que
[para] muito daquilo que é preciso fazer a nossa colaboração é pouca (…)
porque o que é necessário fazer implica um pouquinho de cada um e de
cada um é de cada português, porque o desígnio é verdadeiramente
nacional”.“Nós estamos a falar de acolher
no nosso país, na nossa cidade, nas nossas aldeias, nas nossas vilas, a
juventude do mundo inteiro”, acrescenta.Inicialmente
marcada para 2022 e adiada um ano devido à pandemia de covid-19, a JMJ
Lisboa 2023 está, segundo Américo Aguiar, num “crescendo” de
mobilização.“Não nos podemos esquecer que o
Papa Francisco anuncia a jornada em janeiro de 2019. A jornada muda de
2022 para 2023. Tivemos a circunstância da pandemia e da covid, que
infelizmente ainda vivemos. Temos a circunstância da guerra. Os nossos
focos de atenção têm sido alterados mediante aquilo que é a realidade da
vida das pessoas”, afirma o responsável pela organização da JMJ,
sublinhando a “travagem a fundo” feita no início da pandemia.O
bispo auxiliar de Lisboa exemplifica com o “redirecionamento” feito
pela Comité Organizador Local (COL) dos computadores portáteis que
tinham recebido no início da pandemia, com vista ao trabalho das equipas
responsáveis pela montagem do evento. Com o adiamento da JMJ,
“imediatamente os redirecionámos para jovens que na altura precisavam
das aulas via telemática e que não tinham esses computadores. E
portanto, de um momento para o outro, tínhamos equipamentos, como
deixámos de ter, como muitas outras coisas, que nós redirecionámos para
aquilo que era a urgência da realidade da vida de cada um”.Organizar
a JMJ obriga a uma grande operação de logística, tendo em conta as
estimativas de mais de um milhão de jovens de todo o mundo a confluírem a
Lisboa, para um encontro de dimensão como nenhum outro até agora
realizado em Portugal.“Temos trabalhado
cenários, porque nós não sabemos (…) mas podemos estar a falar de uma
jornada que possa ser das mais participadas de sempre se não tivermos
pandemia, se não tivermos uma guerra mais generalizada, se não tivermos
uma economia que impeça que os jovens possam participar, (…) como
podemos ter uma jornada com uma participação mais diminuída em razão
destes ‘ses’”, admite o bispo.Com a sede
logística instalada na antiga Manutenção Militar – “é interessante dizer
que um espaço que tratou da logística da guerra agora trata da
logística da paz e fraternidade” -, é ali que Américo Aguiar passa cada
vez mais hora diárias, já quase a tempo inteiro, para, com o resto da
equipa, assegurar que tudo vai estar pronto quando o Papa chegar a
Portugal em agosto de 2023.Reconhecendo o
apoio, que diz ser total, do Presidente da República – “o nosso pivô, o
nosso maior embaixador” -, do Governo, dos autarcas de Lisboa e Loures e
das diversas entidades com as quais dialoga com vista a ultrapassar
dificuldades, Américo Aguiar realça a capacidade organizativa dos
portugueses, nos diversos setores, englobando as forças de segurança e
as Forças Armadas, ou os profissionais da saúde.“Aqui
qual é o problema?”, questiona, para responder de imediato: “É a
escala. É que o problema é que nós podemos subir uma escada que vai de
centena de milhar em centena de milhar”.Admitindo
que “o dossiê da mobilidade é dos mais importantes” com que a
organização tem de lidar, face ao interesse manifestado por jovens dos
quatro cantos do mundo, mas do continente americano, da América Latina e
do Brasil, em particular.“Quando olho
para os números e para as previsões daquilo que vão partilhando, penso:
[vai ser necessária] ou ponte aérea ou túnel oceânico”, diz a sorrir,
acrescentando que “é uma temática que está já a ser trabalhada, quer com
as autoridades do Estado competentes, quer com os vários agentes que
são protagonistas e estamos a falar da gestão aeroportuária, das
companhias aéreas, das agências de viagens, de todos os agentes que
podem ajudar a ir ao encontro das expectativas” dos que querem vir a
Portugal.Entretanto, e porque para a JMJ
Lisboa 2023 correr como o desejado é necessário que muitos setores
estejam em funcionamento num período tradicional de férias, está a
iniciar-se uma ação de “charme” junto de múltiplos parceiros.“Há
um conjunto de instituições com quem vamos começar a falar e pedir-lhes
ajuda e compreensão e explicar-lhes aquilo que é o desígnio nacional da
jornada, e estamos a falar de muitos profissionais, de muitas áreas,
estamos a falar da saúde, da segurança, da restauração e muitas áreas
que, em princípio, por tradição, se calhar vão de férias em agosto e, em
agosto de 2023 nós vamos pedir que sejam connosco anfitriões daquilo
que é a chegada da juventude do mundo inteiro” a Lisboa, afirma o bispo.Américo
Aguiar confia numa adesão ao apelo: “Acredito profundamente que somos
capazes de assumir este desafio e vamos ter sucesso na sua
concretização”.