Binter e Icelandair mostram interesse na privatização da Azores Airlines

Hoje 09:01 — Filipe Torres

A Azores Airlines já atraiu entre “seis a oito interessados” no novo processo de venda direta, revelou o presidente do Grupo SATA, Tiago Santos, ao Jornal de Negócios. Apesar de o processo ainda não ter arrancado oficialmente, já existem várias “manifestações de interesse informais” por parte de investidores internacionais. “Já recebemos o contacto de seis a oito interessados”, afirmou o gestor, acrescentando que “já fomos abordados por um conjunto de investidores que enviaram e-mails de forma proativa”.Entre os interessados destacam-se a Binter e a Icelandair. Tiago Santos confirmou que “houve conversas com a Binter e a Icelandair” para apresentar o trabalho desenvolvido pela companhia no último ano e perceber o interesse de cada grupo na operação. Segundo o responsável, a administração está agora “a obter vários feedbacks dos interessados”.Segundo o Jornal de Negócios, o interesse da Binter já tinha sido avançado pela imprensa internacional no final de 2025. A companhia das Canárias vê a Azores Airlines como uma oportunidade estratégica para criar um “hub” no Atlântico, aproveitando as ligações aos Estados Unidos e Canadá. Já a Icelandair participou no processo de privatização de 2018, entretanto cancelado após a divulgação de documentos confidenciais.Tiago Santos considera que estas aproximações ajudam a identificar “os investidores certos” para o futuro da companhia. “Estamos a identificar os investidores certos, com base no potencial para fazer ‘match’ com o ativo Azores Airlines”, afirmou.Também o secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Duarte Freitas, confirmou ao Jornal de Negócios que “vários potenciais interessados na Azores Airlines contactaram diversos membros do Governo Regional”.O responsável pela tutela das Finanças explicou, contudo, que todos os contactos estão agora a ser encaminhados para o conselho de administração da SATA, responsável por liderar o processo.Recorde-se que a nova privatização surge após o encerramento do concurso público anterior, no qual o consórcio Atlantic Connect Group ofereceu 17 milhões de euros por 85% da companhia. O processo acabou por ser cancelado e o Governo Regional optou agora por uma negociação particular.O novo processo deverá arrancar ainda neste mês e estará “aberto a todos”, não ficando limitado apenas a companhias aéreas. Ainda ao Negócios, segundo Tiago Santos, o modelo vai incorporar “lições do passado” e garantir maior transparência desde o início. “Não temos tempo, nesta fase, para surpresas negativas”, afirmou.Uma das principais preocupações prende-se com a dívida do grupo, estimada em cerca de 400 milhões de euros. Ainda assim, tanto Tiago Santos como Duarte Freitas garantem que o passivo ficará na holding do Grupo SATA. “O passivo fica na holding. A Azores [Airlines] vai ser vendida limpa”, assegurou o secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública.O processo deverá decorrer em três fases: manifestação de interesse, propostas não vinculativas e propostas vinculativas. A venda prevê a alienação de “pelo menos 51%” da companhia, embora a administração admita recomendar uma participação superior a 75%, permitindo maior liberdade estratégica ao futuro investidor. “Temos de ver quantas fases conseguimos fazer antes do verão - este é o desafio”, realçou ao Jornal de Negócios.