Biden abandona propostas de lei incabadas para evitar que Trump as reformule
20 de dez. de 2024, 15:40
— Lusa/AO Online
A Casa Branca
espera anular regras inacabadas em várias agências, se não houver tempo
suficiente para as finalizar antes de Trump tomar posse, a 20 de
janeiro. Se os regulamentos propostos se
mantivessem no seu estado atual, a próxima administração seria capaz de
os reescrever e de fazer avançar a sua agenda mais rapidamente.O
Departamento de Educação anunciou que está a libertar empréstimos para
outros 55.000 cidadãos que alcançaram a elegibilidade através de um
programa conhecido como Perdão de Empréstimos de Serviço Público, que
foi criado pelo Congresso em 2007 e alargado pela administração Biden.
À medida que as regulamentações pendentes de Biden são retiradas, nada
impede que Trump prossiga com as suas próprias regulamentações sobre as
mesmas questões quando regressar à Casa Branca, mas teria de começar do
zero num processo que pode levar meses ou mesmo anos.
“Não era assim que eu queria que acabasse”, disse Melissa Byrne, uma
ativista que tem vindo a pressionar para o cancelamento da dívida
estudantil. Byrne culpa os republicanos por colocarem o Governo de Biden nesta posição. “É uma pena termos um Partido Republicano empenhado em manter a classe trabalhadora americana endividada”, explicou Byrne.Os
cancelamentos começam no momento em que Washington se prepara para uma
potencial paralisação do Governo que poderá complicar ainda mais os
esforços da administração Biden para resolver pontas soltas.Outra proposta de lei que poderá ser retirada é uma medida que teria impedido as escolas de proibir atletas transgénero. Trump
poderá reformular a modificação pendente para proibir atletas
transgénero de praticar desporto feminino, uma das suas promessas de
campanha.As agências federais estão agora a
analisar quais as regras que devem ser finalizadas e quais devem ser
retiradas antes do final do mandato de Biden.Nos
últimos anos, os presidentes tenderam a confiar mais nas ordens
executivas e nos regulamentos federais para contornar o impasse no
Congresso. Contudo, o processo de
regulamentação pode ser menos duradouro do que a legislação, deixando as
políticas mais vulneráveis a mudanças entre governos de diferentes
partidos.Existem dezenas de outras
regulamentações pendentes no Departamento de Educação e noutras
agências, que vão desde atualizações relativamente triviais até
políticas abrangentes que têm implicações relevantes para as escolas e
empresas do país.As duas propostas de
empréstimos estudantis que deverão ser retiradas ainda hoje representam a
segunda tentativa de Biden de cancelamento generalizado da dívida,
depois de o Supremo Tribunal ter rejeitado o seu primeiro plano.Uma
deles é uma proposta, apresentada em abril, que proporcionaria um
alívio da dívida direcionado a 30 milhões de norte-americanos, que
estavam a reembolsar empréstimos há 20 anos ou mais e que veriam os seus
empréstimos cancelados.Esta proposta foi
suspensa por um juiz federal em setembro, depois de os estados liderados
pelos republicanos terem contestado a medida, e continua envolvida numa
batalha legal.A segunda proposta a ser
retirada teria permitido ao Departamento de Educação cancelar
empréstimos a pessoas que enfrentam vários tipos de dificuldades,
incluindo aquelas que enfrentam despesas médicas elevadas ou custos de
cuidados infantis.Embora Biden nunca tenha
conseguido os cancelamentos abrangentes de empréstimos que prometeu
inicialmente, a sua administração perdoou um valor sem precedentes de
180 mil milhões de dólares (cerca de 170 mil milhões de euros) em
empréstimos federais a estudantes.Espera-se
que os 4,28 mil milhões de dólares (cerca de quatro mil milhões de
euros) em ajuda sejam a ronda final de perdão dos empréstimos antes de
Biden deixar o cargo em janeiro.