Bíblia hebraica mais antiga vendida em leilão por mais de 38 milhões de dólares
18 de mai. de 2023, 07:48
— Lusa/AO Online
O valor arrecadado no leilão
que decorreu em Nova Iorque representa um recorde para um livro
manuscrito, noticiou a agência France-Presse (AFP).O
Codex Sassoon, em homenagem ao seu mais conhecido proprietário, David
Solomon Sassoon, o maior colecionador de manuscritos hebraicos e
judaicos do século XX, que morreu em 1942, data do ano 900 e representa
"a mais completa bíblia hebraica”.Esta
bíblia foi comprada em leilão pelo ex-embaixador norte-americano e
filantropo Alfred Moses e a sua família, "para benefício da American
Friends of the ANU- Museum of the Jewish People e doado" a esta
instituição, informou a Sotheby's em comunicado.A obra esteve em exibição antes do leilão no Museu do Povo Judaico, no campus da Universidade de Telavive.Segundo a Sotheby's, o leilão terminou após uma “batalha de quatro minutos entre dois compradores”.Este
Codex Sassoon, em estado de conservação visivelmente excecional e do
qual faltam apenas algumas páginas, relaciona 24 livros da bíblia
hebraica extraídos dos famosos pergaminhos dos Manuscritos do Mar Morto,
datados do século III a.C.O Cristianismo
reconhece estes textos como o Antigo Testamento, e são incorporados no
cânone bíblico por correntes católicas, ortodoxas, protestantes e
outras.O Islão considera histórias da
Bíblia hebraica, muitas das quais estão incluídas no Alcorão e outras
obras significativas da literatura islâmica."Esta
bíblia foi escrita por volta do ano 900, em Israel ou na Síria",
realçou à AFP Sharon Mintz, especialista em textos judaicos da
Sotheby's.O Codex Sassoon é mais antigo
que os dois textos deste tipo já conhecidos, de Alepo, na Síria, e de
Leningrado, atual São Petersburgo, na Rússia, mas a sua datação não
tinha sido determinada cientificamente até recentemente, quando
proprietário que a levou agora a leilão, que é desconhecido, sujeitou a
bíblia a testes científicos e de carbono.“O
manuscrito desapareceu por cerca de 500 anos e reapareceu em 1929,
quando foi colocado à venda a David Solomon Sassoon, um dos maiores
colecionadores de manuscritos hebraicos”, acrescentou Sharon Mintz.