Bíblia hebraica mais antiga vai a leilão e pode atingir os 46 milhões de euros
16 de fev. de 2023, 08:51
— Lusa/AO Online
O Codex Sassoon, em homenagem ao
seu mais conhecido proprietário, David Solomon Sassoon, o maior
colecionador de manuscritos hebraicos e judaicos do século XX, que
morreu em 1942, data do ano 900 e representa "a mais completa bíblia
hebraica”.O valor é estimado entre os 30 e
os 50 milhões de dólares, podendo estar entre “os manuscritos mais
caros já vendidos", sublinhou à agência France-Presse (AFP) Richard
Austin, responsável de livros e manuscritos antigos da Sotheby's.O
leilão irá decorrer em maio, durante a clássica temporada de leilões de
primavera de pinturas de arte contemporânea, moderna e impressionista,
organizada pelos gigantes do setor em Nova Iorque: a Sotheby's, do
magnata franco-israelita Patrick Drahi e a Christie's, a sua concorrente
controlada pela ‘holding’ Artémis do bilionário francês François
Pinault.Questionado sobre os potenciais
compradores desta obra, Austin frisou que a lista de compradores é "um
poço sem fundo", pois este é documento “fundador da civilização”. “É difícil encontrar um texto que tenha tido mais influência do que a Bíblia na história da humanidade", sublinhou.Esta
bíblia em hebraico, a língua original do antigo testamento que também
contém passagens em grego e aramaico, "pertenceu a importantes
colecionadores no século XX”, destacou ainda.O
Codex Sassoon é mais antigo que os dois textos deste tipo já
conhecidos, de Alepo, na Síria, e de Leningrado, atual São Petersburgo,
na Rússia, mas a sua datação não tinha sido determinada cientificamente
até recentemente, quando o seu atual proprietário, que é desconhecido,
sujeitou a bíblia a testes científicos e de carbono.A
casa de leilões descreve o documento como "o elo fundamental na
história judaica" que permitiu trazer a tradição oral da antiguidade
para as bíblias hebraicas da atualidade”, considerando esta "uma
referência na história da humanidade".Em
estado de conservação “excecional”, o Codex Sassoon inclui nas suas
margens numerosas inscrições, anotações e outras notas feitas pelos
anteriores proprietários ou pelas comunidades que o utilizavam para
rezar, e que atestam o seu percurso na história da humanidade, destacou
ainda a Sotheby's em comunicado.