A BeYoga
tornou-se a primeira escola portuguesa a oferecer o percurso completo
RYT 500 reconhecido pela Yoga Alliance Internacional, inteiramente em
português. O que representa este momento para o Yoga em Portugal e de
que forma é que a componente online desta formação veio democratizar o
acesso a quem vive nas ilhas ou no interior do país?Recebemos este reconhecimento com muita gratidão, mas também com um forte sentido de responsabilidade. Ao
longo dos últimos anos, fomos percebendo que existiam muitas pessoas
interessadas em aprofundar os seus conhecimentos em Yoga, mas que
encontravam limitações relacionadas com a localização geográfica, a
disponibilidade de tempo ou a dificuldade em aceder a formações mais
avançadas em português.A possibilidade de oferecer um percurso
completo de 500 horas reconhecido internacionalmente e integralmente em
português permite que mais pessoas possam continuar a estudar sem terem
necessariamente de se deslocar para grandes centros urbanos ou para o
estrangeiro.A componente online foi particularmente importante nesse
processo. Temos alunos dos Açores, da Madeira, de várias regiões do
interior do país e também de comunidades portuguesas no estrangeiro. O
nosso objetivo nunca foi substituir a experiência humana do ensino, mas
procurar formas de a tornar mais acessível a quem, de outra forma,
dificilmente teria oportunidade de participar.Mais do que
democratizar o acesso à formação, esperamos contribuir para que o Yoga
possa chegar a mais pessoas através de professores cada vez mais bem
preparados e conscientes da responsabilidade que assumem quando ensinam.Que
competências concretas ficam habilitados a exercer os professores que
concluem este percurso de 500 horas a partir dos Açores?A formação
procura desenvolver um conjunto alargado de competências ligadas à
prática, ao ensino e à compreensão do Yoga enquanto disciplina
multidimensional. Ao longo do percurso, os alunos aprofundam áreas
como a pedagogia, a anatomia, a filosofia, a respiração, a meditação e o
planeamento de aulas, procurando desenvolver uma maior capacidade de
adaptação às necessidades dos diferentes praticantes.Naturalmente,
nenhuma formação transforma alguém num professor acabado. Aliás,
acreditamos precisamente no contrário: quanto mais estudamos, mais
percebemos que o processo de aprendizagem continua.O que procuramos é
que os nossos formandos terminem o percurso com ferramentas que lhes
permitam ensinar com maior consciência, segurança, rigor e autonomia,
continuando simultaneamente o seu próprio processo de crescimento e
estudo.Estão preparados para criar e liderar os seus próprios
espaços de prática nas ilhas, ou a formação abre também portas a uma
carreira com projeção nacional e internacional?As duas
possibilidades podem coexistir. Alguns alunos procuram a formação porque
desejam criar projetos locais e contribuir para as suas comunidades.
Outros têm interesse em colaborar com estúdios, ginásios, associações ou
desenvolver percursos profissionais mais abrangentes.O
reconhecimento internacional da Yoga Alliance permite que os formandos
possam apresentar a sua formação em diversos contextos nacionais e
internacionais. No entanto, aquilo que mais valorizamos não é tanto a
dimensão geográfica do projeto de cada aluno, mas a qualidade do
trabalho que desenvolve junto das pessoas que acompanha.Acreditamos
que um professor pode ter um impacto muito significativo quer esteja a
ensinar numa pequena comunidade local, quer esteja a trabalhar num
contexto mais alargado.Como descreve o panorama atual da prática de Yoga no arquipélago?Não
estando presentes diariamente no terreno, seria pouco rigoroso da nossa
parte fazer uma análise definitiva da realidade açoriana. Aquilo que
podemos dizer é que temos vindo a receber cada vez mais contactos e
alunos provenientes dos Açores, o que sugere um interesse crescente pela
prática e pela formação em Yoga.Um dos sinais que também nos parece
interessante é o aumento da procura que temos observado por parte de
residentes nos Açores relativamente a retiros, encontros e eventos de
Yoga realizados no continente. Embora esta observação resulte da nossa
experiência enquanto escola e não de um estudo formal, parece indicar
uma curiosidade crescente e uma vontade de aprofundar o contacto com
estas práticas.Ao mesmo tempo, sabemos que existem hoje nos Açores
diversos projetos ligados ao Yoga e ao bem-estar, bem como uma oferta
crescente de retiros e experiências associadas a estas áreas.Naturalmente,
esta é uma realidade que varia de ilha para ilha e de comunidade para
comunidade, pelo que preferimos olhar para este fenómeno com curiosidade
e abertura, mais do que com certezas absolutas.Existe uma procura
crescente por parte da população local? De que forma é que a chegada de
profissionais mais qualificados pode potenciar o aumento de praticantes
de Yoga?Temos observado um interesse crescente pelo Yoga em diferentes regiões do país e os Açores não parecem ser exceção. Na
nossa realidade enquanto escola, temos sentido uma maior procura por
parte de pessoas residentes nos Açores, quer para formações, quer para
retiros e outros momentos de prática e aprendizagem. Embora esta seja
apenas a nossa experiência, parece-nos um sinal positivo e compatível
com aquilo que também observamos noutras regiões do país.Quando
existem professores bem preparados, capazes de ensinar com clareza,
segurança e sensibilidade às características da população local,
torna-se mais fácil criar experiências positivas para quem se aproxima
da prática pela primeira vez.Mais do que aumentar números, aquilo
que nos parece importante é criar condições para que as pessoas
encontrem práticas adequadas às suas necessidades e sintam confiança no
processo.Nesse sentido, a qualidade da formação dos professores pode
desempenhar um papel relevante no desenvolvimento sustentável da
prática.Os Açores têm um contexto geográfico, climático e humano
muito particular. Na sua perspetiva, de que forma é que a prática
regular de Yoga pode responder às necessidades específicas das
populações insulares, nomeadamente ao nível do bem-estar mental, da
gestão do stress e da saúde preventiva?Seria excessivo afirmar que o Yoga responde, por si só, aos desafios que qualquer comunidade enfrenta. Aquilo
que observamos é que muitas pessoas encontram na prática um espaço
regular de pausa, observação e autocuidado que valorizam nas suas vidas.Num
mundo marcado por ritmos acelerados, excesso de estímulos e elevados
níveis de exigência, criar momentos para respirar, mover o corpo com
atenção e cultivar presença pode ser uma experiência significativa para
muitas pessoas.Cada indivíduo relaciona-se com o Yoga de forma
diferente e os benefícios percebidos variam naturalmente de pessoa para
pessoa. Ainda assim, parece-nos que estas ferramentas podem constituir
um complemento interessante para quem procura desenvolver hábitos de
vida mais conscientes e equilibrados.Olhando para os próximos anos,
que papel imagina para a BeYoga e para os seus formandos açorianos no
desenvolvimento do Yoga nas ilhas?Mais do que imaginar um papel
específico, esperamos continuar a contribuir para a formação de
professores comprometidos com a aprendizagem contínua, com a ética
profissional e com o serviço às suas comunidades.Se alguns dos
nossos alunos vierem a desenvolver projetos relevantes nos Açores,
ficaremos naturalmente muito felizes por poder ter feito parte desse
percurso. Acreditamos que o crescimento do Yoga acontece sobretudo
através das pessoas que o praticam e ensinam diariamente, de forma
consistente, humilde e responsável. O nosso papel é procurar apoiá-las
nesse caminho.Que mensagem deixaria a alguém dos Açores que está a ponderar iniciar este percurso de formação avançada?Diria, antes de mais, que não é necessário ter todas as respostas antes de começar. Muitas
pessoas chegam até nós com dúvidas semelhantes: será que tenho
experiência suficiente? Será que estou preparado? Será este o momento
certo? E essas perguntas fazem parte do processo.Importa esclarecer
que a formação avançada de 300 horas destina-se a pessoas que já
concluíram uma formação inicial de professores de Yoga de 200 horas. É
uma etapa de aprofundamento para quem pretende continuar a estudar,
praticar e desenvolver as suas competências enquanto professor.No
entanto, para quem está agora a iniciar este caminho, existe também a
possibilidade de começar pela formação de 200 horas e, mais tarde, dar
continuidade ao percurso. Foi precisamente para permitir essa progressão
que desenvolvemos uma oferta formativa completa, desde a formação
inicial até ao percurso avançado reconhecido internacionalmente.Ao
mesmo tempo, nem toda a aprendizagem precisa de acontecer através de um
percurso de 500 horas. Existem muitas formas de continuar a estudar. Na
BeYoga disponibilizamos também diversos cursos e especializações em
áreas específicas do Yoga, permitindo que cada pessoa construa o seu
percurso de acordo com os seus interesses, disponibilidade e objetivos.Talvez
a característica mais importante de um aluno avançado não seja a
quantidade de horas que acumula, mas a sua disponibilidade para
continuar a aprender. Na nossa experiência, aquilo que distingue os
melhores professores não é a ideia de que já sabem tudo, mas a
curiosidade, a humildade e a vontade de continuar a estudar. O Yoga é
uma prática de aprendizagem contínua. E, de certa forma, todos
continuamos a ser alunos.