BeYoga chega aos Açores com formações online

Hoje 11:30 — Arthur Melo

A componente online da formação avançada permite que alunos das ilhas acedam a um percurso reconhecido internacionalmente sem necessidade de deslocação ao continente.Em entrevista ao Açoriano Oriental, Carla Gonçalves, a fundadora da escola BeYoga e professora E-RYT 500 certificada pela Yoga Alliance, fala sobre o impacto da formação online no acesso ao ensino especializado desta prática fora dos grandes centros urbanos e dos benefícios do Yoga.A BeYoga tornou-se a primeira escola portuguesa a oferecer o percurso completo RYT 500 reconhecido pela Yoga Alliance Internacional, inteiramente em português. O que representa este momento para o Yoga em Portugal e de que forma é que a componente online desta formação veio democratizar o acesso a quem vive nas ilhas ou no interior do país?Recebemos este reconhecimento com muita gratidão, mas também com um forte sentido de responsabilidade.Ao longo dos últimos anos, fomos percebendo que existiam muitas pessoas interessadas em aprofundar os seus conhecimentos em Yoga, mas que encontravam limitações relacionadas com a localização geográfica, a disponibilidade de tempo ou a dificuldade em aceder a formações mais avançadas em português.A possibilidade de oferecer um percurso completo de 500 horas reconhecido internacionalmente e integralmente em português permite que mais pessoas possam continuar a estudar sem terem necessariamente de se deslocar para grandes centros urbanos ou para o estrangeiro.A componente online foi particularmente importante nesse processo. Temos alunos dos Açores, da Madeira, de várias regiões do interior do país e também de comunidades portuguesas no estrangeiro. O nosso objetivo nunca foi substituir a experiência humana do ensino, mas procurar formas de a tornar mais acessível a quem, de outra forma, dificilmente teria oportunidade de participar.Mais do que democratizar o acesso à formação, esperamos contribuir para que o Yoga possa chegar a mais pessoas através de professores cada vez mais bem preparados e conscientes da responsabilidade que assumem quando ensinam.Que competências concretas ficam habilitados a exercer os professores que concluem este percurso de 500 horas a partir dos Açores?A formação procura desenvolver um conjunto alargado de competências ligadas à prática, ao ensino e à compreensão do Yoga enquanto disciplina multidimensional.Ao longo do percurso, os alunos aprofundam áreas como a pedagogia, a anatomia, a filosofia, a respiração, a meditação e o planeamento de aulas, procurando desenvolver uma maior capacidade de adaptação às necessidades dos diferentes praticantes.Naturalmente, nenhuma formação transforma alguém num professor acabado. Aliás, acreditamos precisamente no contrário: quanto mais estudamos, mais percebemos que o processo de aprendizagem continua.O que procuramos é que os nossos formandos terminem o percurso com ferramentas que lhes permitam ensinar com maior consciência, segurança, rigor e autonomia, continuando simultaneamente o seu próprio processo de crescimento e estudo.Estão preparados para criar e liderar os seus próprios espaços de prática nas ilhas, ou a formação abre também portas a uma carreira com projeção nacional e internacional?As duas possibilidades podem coexistir. Alguns alunos procuram a formação porque desejam criar projetos locais e contribuir para as suas comunidades. Outros têm interesse em colaborar com estúdios, ginásios, associações ou desenvolver percursos profissionais mais abrangentes.O reconhecimento internacional da Yoga Alliance permite que os formandos possam apresentar a sua formação em diversos contextos nacionais e internacionais. No entanto, aquilo que mais valorizamos não é tanto a dimensão geográfica do projeto de cada aluno, mas a qualidade do trabalho que desenvolve junto das pessoas que acompanha.Acreditamos que um professor pode ter um impacto muito significativo quer esteja a ensinar numa pequena comunidade local, quer esteja a trabalhar num contexto mais alargado.Como descreve o panorama atual da prática de Yoga no arquipélago?Não estando presentes diariamente no terreno, seria pouco rigoroso da nossa parte fazer uma análise definitiva da realidade açoriana.Aquilo que podemos dizer é que temos vindo a receber cada vez mais contactos e alunos provenientes dos Açores, o que sugere um interesse crescente pela prática e pela formação em Yoga.Um dos sinais que também nos parece interessante é o aumento da procura que temos observado por parte de residentes nos Açores relativamente a retiros, encontros e eventos de Yoga realizados no continente. Embora esta observação resulte da nossa experiência enquanto escola e não de um estudo formal, parece indicar uma curiosidade crescente e uma vontade de aprofundar o contacto com estas práticas.Ao mesmo tempo, sabemos que existem hoje nos Açores diversos projetos ligados ao Yoga e ao bem-estar, bem como uma oferta crescente de retiros e experiências associadas a estas áreas.Naturalmente, esta é uma realidade que varia de ilha para ilha e de comunidade para comunidade, pelo que preferimos olhar para este fenómeno com curiosidade e abertura, mais do que com certezas absolutas.Existe uma procura crescente por parte da população local? De que forma é que a chegada de profissionais mais qualificados pode potenciar o aumento de praticantes de Yoga?Temos observado um interesse crescente pelo Yoga em diferentes regiões do país e os Açores não parecem ser exceção.Na nossa realidade enquanto escola, temos sentido uma maior procura por parte de pessoas residentes nos Açores, quer para formações, quer para retiros e outros momentos de prática e aprendizagem. Embora esta seja apenas a nossa experiência, parece-nos um sinal positivo e compatível com aquilo que também observamos noutras regiões do país.Quando existem professores bem preparados, capazes de ensinar com clareza, segurança e sensibilidade às características da população local, torna-se mais fácil criar experiências positivas para quem se aproxima da prática pela primeira vez.Mais do que aumentar números, aquilo que nos parece importante é criar condições para que as pessoas encontrem práticas adequadas às suas necessidades e sintam confiança no processo.Nesse sentido, a qualidade da formação dos professores pode desempenhar um papel relevante no desenvolvimento sustentável da prática.Os Açores têm um contexto geográfico, climático e humano muito particular. Na sua perspetiva, de que forma é que a prática regular de Yoga pode responder às necessidades específicas das populações insulares, nomeadamente ao nível do bem-estar mental, da gestão do stress e da saúde preventiva?Seria excessivo afirmar que o Yoga responde, por si só, aos desafios que qualquer comunidade enfrenta.Aquilo que observamos é que muitas pessoas encontram na prática um espaço regular de pausa, observação e autocuidado que valorizam nas suas vidas.Num mundo marcado por ritmos acelerados, excesso de estímulos e elevados níveis de exigência, criar momentos para respirar, mover o corpo com atenção e cultivar presença pode ser uma experiência significativa para muitas pessoas.Cada indivíduo relaciona-se com o Yoga de forma diferente e os benefícios percebidos variam naturalmente de pessoa para pessoa. Ainda assim, parece-nos que estas ferramentas podem constituir um complemento interessante para quem procura desenvolver hábitos de vida mais conscientes e equilibrados.Olhando para os próximos anos, que papel imagina para a BeYoga e para os seus formandos açorianos no desenvolvimento do Yoga nas ilhas?Mais do que imaginar um papel específico, esperamos continuar a contribuir para a formação de professores comprometidos com a aprendizagem contínua, com a ética profissional e com o serviço às suas comunidades.Se alguns dos nossos alunos vierem a desenvolver projetos relevantes nos Açores, ficaremos naturalmente muito felizes por poder ter feito parte desse percurso. Acreditamos que o crescimento do Yoga acontece sobretudo através das pessoas que o praticam e ensinam diariamente, de forma consistente, humilde e responsável. O nosso papel é procurar apoiá-las nesse caminho.Que mensagem deixaria a alguém dos Açores que está a ponderar iniciar este percurso de formação avançada?Diria, antes de mais, que não é necessário ter todas as respostas antes de começar.Muitas pessoas chegam até nós com dúvidas semelhantes: será que tenho experiência suficiente? Será que estou preparado? Será este o momento certo? E essas perguntas fazem parte do processo.Importa esclarecer que a formação avançada de 300 horas destina-se a pessoas que já concluíram uma formação inicial de professores de Yoga de 200 horas. É uma etapa de aprofundamento para quem pretende continuar a estudar, praticar e desenvolver as suas competências enquanto professor.No entanto, para quem está agora a iniciar este caminho, existe também a possibilidade de começar pela formação de 200 horas e, mais tarde, dar continuidade ao percurso. Foi precisamente para permitir essa progressão que desenvolvemos uma oferta formativa completa, desde a formação inicial até ao percurso avançado reconhecido internacionalmente.Ao mesmo tempo, nem toda a aprendizagem precisa de acontecer através de um percurso de 500 horas. Existem muitas formas de continuar a estudar. Na BeYoga disponibilizamos também diversos cursos e especializações em áreas específicas do Yoga, permitindo que cada pessoa construa o seu percurso de acordo com os seus interesses, disponibilidade e objetivos.Talvez a característica mais importante de um aluno avançado não seja a quantidade de horas que acumula, mas a sua disponibilidade para continuar a aprender. Na nossa experiência, aquilo que distingue os melhores professores não é a ideia de que já sabem tudo, mas a curiosidade, a humildade e a vontade de continuar a estudar. O Yoga é uma prática de aprendizagem contínua. E, de certa forma, todos continuamos a ser alunos.