Berlim pede à UE para eliminar possibilidade de veto dos Estados-membros
7 de jun. de 2021, 13:27
— Lusa/AO Online
“Não
podemos continuar a permitir ficarmos reféns daqueles que paralisam a
política externa europeia com os seus vetos. Quem o faz está a jogar, a
mais ou menos longo prazo, com a coesão da Europa”, disse Maas, numa
conferência de imprensa em Berlim.“Por
isso, digo abertamente: o veto deve desaparecer, mesmo que isso
signifique que possamos ser derrotados na votação”, disse o chefe da
diplomacia alemã.As
regras da União Europeia preveem que algumas decisões - nomeadamente em
matéria fiscal ou de política externa - obriguem a unanimidade dos
estados-membros, o que cria a possibilidade de um país utilizar o seu
veto para bloquear, atrasar ou atenuar as posições da comunidade.“Porque
sempre levámos em consideração a solidariedade interna e a soberania
externa, as duas faces da mesma moeda, devemos agora, depois das crises
internas, avançar mais na capacidade de ação da Europa em matéria de
política externa”, defendeu Maas.A
Hungria tem usado regularmente o seu direito de veto nos últimos meses
para bloquear declarações críticas sobre a China e, mais recentemente,
também se recusou a apoiar uma declaração que pedia um cessar-fogo entre
Israel e os palestinianos, no conflito em Gaza.Frequentemente
condenados por Bruxelas - por causa das suas reformas, acusadas de
minar os valores democráticos - Polónia e Hungria também se opuseram, em
novembro, à adoção do orçamento plurianual da União Europeia e do plano
de recuperação e resiliência europeu, projetado para ajudar os
estados-membros a lidar com a pandemia.Para
Maas, regressar ao princípio da maioria durante uma votação entre os
estados-membros evitará a ameaça de uma "Europa a duas velocidades".