Bélgica vai pedir alianças na Europa para deportar afegãos condenados
Migrações
3 de out. de 2025, 16:30
— Lusa/AO Online
“Este
problema não é exclusivo da Bélgica. É por isso que devem ser
encontradas soluções europeias para o regresso voluntário e forçado dos
afegãos. Para aqueles que não têm futuro na União Europeia (UE), a
mensagem deve ser clara: o regresso é a única opção”, afirmou a ministra
Anneleen Van Bossuyt, membro do partido nacionalista flamengo N-VA.Van
Bossuyt reuniu-se com o comissário europeu para as
Migrações, Magnus Brunner, com quem discutiu a implementação do Pacto
Europeu sobre Migrações e Asilo e a ideia de uma abordagem coletiva à
deportação de afegãos e pessoas de outras nacionalidades que cometeram
crimes, avançam os meios de comunicação belgas.O
porta-voz da Comissão Europeia Marcus Lammert confirmou hoje o encontro
entre a ministra e o comissário, mas sublinhou que a deportação de
migrantes é uma responsabilidade dos Estados-membros.“O
regresso de migrantes irregulares está sujeito a decisões individuais
das autoridades judiciais dos Estados-membros”, lembrou Lammert, durante
a conferência de imprensa diária do executivo europeu.No
entanto, o porta-voz acrescentou que “existem normas europeias que
devem ser cumpridas” e que, “no plano operacional, (...) a UE está a
trabalhar em estreita colaboração com todas as autoridades dos
Estados-membros para ajudar a reforçar e melhorar os regressos”.O
retorno dos afegãos aos seus países de origem exige diálogo com o
regime fundamentalista dos talibãs, no poder desde agosto de 2021 mas
não reconhecidos como Governo, o que a ministra belga considerou uma
“opção pragmática” e de “cooperação puramente técnica”.A Alemanha já deportou 81 afegãos num voo para Cabul, em julho passado, com a mediação do Qatar.Os
talibãs manifestaram a sua disponibilidade para aceitar voos de
deportação com alguma regularidade em troca de medidas da Alemanha para o
reconhecimento do Governo ‘de facto’.O
Afeganistão é um dos principais países de origem de requerentes de asilo
na Bélgica, mas a sua taxa de rejeição é de 48%, segundo um estudo da
organização não-governamental flamenga Action pour les Refugees (Ação
para os Refugiados), com base em dados do Gabinete do Comissariado Geral
para os Refugiados e Apátridas (CGRS), o que leva estas pessoas a
permanecerem no país em situação irregular, sem acesso a direitos e com
dificuldade de integração.Segundo os meios
de comunicação locais, a ministra belga participará no sábado de uma
cimeira informal sobre migração em Munique (Alemanha), juntamente com
ministros da Alemanha, França, Polónia, Dinamarca, Áustria e República
Checa, durante a qual irá destacar a necessidade de alianças entre
países europeus para as deportações de afegãos.