BEL com projeto-piloto de agricultura regenerativa
4 de mai. de 2023, 00:00
— Nuno Martins Neves
O Grupo BEL tem em marcha um projeto-piloto de agricultura regenerativa
nos Açores. Em cinco explorações, em diferentes locais da ilha de São
Miguel, estão a ser estudadas formas de melhorar a saúde dos solos, de
forma a alcançar melhores pastagens, reduzir custos de produção e
aumentar a área cultivada. Objetivo da indústria é ter todos os
produtores neste programa até 2030.Segundo explicou Rui Calouro,
manager na BEL e responsável pelo programa “Vacas Felizes”, a
agricultura regenerativa é um “método de conservação ou reestruturação
de ecossistemas naturais. Envolvendo diversas práticas de agricultura
sustentável, associado a uma gestão holística, que contribuem para a
vitalidade do solo, pois o nosso objetivo principal é aumentar a saúde
do solo”.Consciente que os produtores açorianos estão limitados pelo
espaço existente nas ilhas, Rui Calouro verificou que há uma “imensidão
de solo que podemos explorar ainda mais. E essa exploração tem a ver
com o próprio sistema radicular das plantas, que conseguem, com algumas
práticas de agricultura regenerativa, penetrar mais no solo e ir buscar
nutrientes onde elas hoje em dia não conseguem”.São as chamadas
“bacias de nutrientes”, zonas que atualmente não estão acessíveis, mas
que podem ser desbloqueadas com uma diferente abordagem. Para isso foi
iniciado um processo de análise aos solos, dados que vão permitir
melhorar a saúde dos terrenos, “especificamente com a introdução de
cálcio, pois com a produção de leite, exportamos muito cálcio que não é
depois reposto no ecossistema”.Mas a agricultura regenerativa não se
fica por retificar as carências nutritivas do solo, indo mais além, com
uma gestão holística de pastoreio. “Ou seja, com pastoreio planeado dos
animais, vamos introduzir pastagens biodiversas que vão permitir outros
sistemas radiculares que hoje em dia não temos, como raízes pivotantes,
que conseguem entrar no solo e criar canais que tornam os nutrientes
mais acessíveis, solo mais arejado e melhor infiltração de água”, refere
Rui Calouro.Outra técnica que querem implementar é a chamada cover
crop, ou seja, “não queremos que o solo fique descoberto nunca, para que
esses nutrientes não vão para o mar e fiquem no solo, bem aproveitados
com as plantas certas e o gradiente de pastoreio correto”, evitando a
destruição do ecossistema do solo.Consciente que aumentar a vida de
um solo não é feita “num estalar de dedos”, o responsável da BEL
sublinha que é necessário “criar condições para isso” e que este tipo de
agricultura “não é só regenerar mas também conservar aquilo que está
bem”. E para apoiar a implementação deste projeto, a Bel conta com “uma
série de consultores, dos melhores do mundo, que nos ajudam nas
decisões”.“Tudo isso é um conceito de sustentabilidade, que vai
permitir que o produtor seja mais resiliente às alterações climáticas,
ao mesmo tempo que reduz custos de produção”, acrescenta.Um dos
produtores do programa, Luís Gonzaga Pereira, da Maia, reconhece que “o
desempenho do solo é a parte mais importante na cadeia de leite
biológico” e que, melhorando-o, serão alcançados melhores resultados.“Se
tiver uma boa pastagem, um bom planeamento de pastagem, uma boa
variedade de plantas que compõem uma alimentação melhor para os meus
animais, com certeza que vão produzir leite de melhor qualidade. E com
isto, um sistema sustentável, que vai possibilitar uma melhor vida para
mim e para os meus trabalhadores, disponibilizando um produto de
primeiríssima qualidade para o consumidor”.