BE questiona Negócios Estrangeiros sobre utilização da base das Lajes pelos EUA
Irão
Hoje 09:52
— Lusa/AO Online
Numa pergunta
dirigida ao ministério tutelado por Paulo Rangel, o deputado bloquista
sustenta que a tese defendida pelo Governo de que os EUA podem utilizar a
Base das Lajes “sem a necessidade de conhecimento ou aprovação prévia
das autoridades portuguesas” é “refutada por reputados especialistas em
Direito Internacional, que enfatizam que o Acordo de 1995 é taxativo ao
estipular a obrigatoriedade de autorização prévia para toda e qualquer
utilização das instalações que configure uma operação unilateral dos
EUA”.Fabian Figueiredo argumenta que “a
interpretação jurídica propugnada pelo Governo português no que concerne
ao Acordo de Cooperação e Defesa de 1995” – estabelecido entre Portugal
e os EUA – “padece de fundamentação legal, sendo tecnicamente
insustentável à luz da letra e do espírito do tratado”. O
bloquista quer que o Governo clarifique qual é “o fundamento jurídico
detalhado que sustenta a interpretação de que uma «autorização tácita»
substitui a exigência de «autorização prévia» estipulada no Acordo de
Cooperação e Defesa de 1995 para missões unilaterais dos EUA”. Fabian
Figueiredo refere ainda a posição do Governo espanhol, liderado por
Pedro Sánchez, que negou autorizar o uso das suas bases militares para
esta operação no Irão e questiona o executivo português sobre o porquê
de não ter adotado uma postura semelhante “de defesa da legalidade
internacional e dos mecanismos multilaterais”.O
deputado quer saber qual é a justificação do Governo português para
"permitir o uso do território nacional para operações que Espanha
rejeitou, por poder configurar uma violação do direito internacional”.“Ao
contrário de Espanha, que exerceu o seu direito de recusa para evitar a
cumplicidade com uma agressão militar, Portugal parece ter optado por
um silêncio permissivo perante uma operação que viola a norma da
não-agressão e a própria Carta das Nações Unidas. Esta complacência
coloca o país numa situação de potencial responsabilidade internacional
ao facilitar meios que são fundamentais para a condução de ataques
aéreos no Médio Oriente”, avisa o deputado. O
dirigente do BE quer também saber se o executivo confirma que a
operação «Fúria Épica» “não tem enquadramento em decisões de
organizações internacionais de que Portugal faça parte, caindo assim no
âmbito das ações unilaterais que exigem autorização expressa”.Sobre
o movimento na base militar portuguesa, Fabian Figueiredo pergunta ao
Governo “quantas aeronaves militares dos EUA com destino ao Médio
Oriente transitaram pela Base das Lajes desde o início de fevereiro de
2026 e quais foram os motivos invocados para a sua escala”, e se foi
feita alguma diligência diplomática para esclarecer “se o fornecimento
logístico nas Lajes está a apoiar ataques que violam a norma da
não-agressão”.Na pergunta, o bloquista
realça que a “denúncia da complacência do Governo português não
configura, em circunstância alguma, qualquer forma de apoio ou
tolerância perante o regime teocrático de Teerão, cuja natureza
opressiva e repressiva é sobejamente reconhecida e condenada pelo Bloco
de Esquerda”.“Pelo contrário, a
contestação aqui expressa é indissociável de uma profunda solidariedade
com a oposição democrática e com o povo iraniano, que há décadas luta
pela liberdade e pelos seus direitos fundamentais”, sublinha.