BE questiona Comissão Europeia sobre privatização da Azores Airlines e SATA Handling
Hoje 16:46
— Lusa/AO Online
Em
comunicado de imprensa, o partido adianta que a pergunta foi enviada
pela eurodeputada Catarina Martins e alerta que a assunção total do
passivo da Azores Airlines pela região pode constituir “uma vantagem
económica suscetível de ser qualificada como novo auxílio de Estado,
caso altere as condições previamente autorizadas ou distorça a
concorrência”.Sobre o processo de
privatização da SATA Handling [assistência em escala], "empresa
recentemente criada no grupo SATA para a qual transitaram 65% dos
trabalhadores da SATA Air Açores", o Bloco manifesta à Comissão Europeia
"grande preocupação com as consequências negativas que vão resultar
desta decisão".No comunicado é ainda
referido que a eurodeputada Catarina Martins salienta que "está em causa
um mercado insular de pequena dimensão e sem concorrência efetiva, e
que a privatização integral da SATA Handling vai conduzir à criação de
um monopólio privado de facto na assistência em escala".Nesse
sentido, o Bloco pergunta se a Comissão Europeia está disponível para
apreciar uma revisão do plano que prevê a alienação de 100% da SATA
Handling, caso o Estado-Membro proponha uma alternativa que mantenha
esta atividade no perímetro público, fundamentada na continuidade do
serviço.O partido recorda que o Bloco tem
alertado, nos Açores, que a privatização da SATA Handling "será um
enorme erro", justificando que se trata de "um serviço essencial à
operação da companhia aérea", mas que passará "a ficar totalmente
dependente de uma empresa privada que terá o monopólio da assistência em
escala em todas as ilhas".Para o BE, "a
total dependência de uma entidade privada externa vai aumentar a
vulnerabilidade da SATA em relação ao custo deste serviço – que não terá
qualquer concorrência – e vai aumentar o risco de problemas
operacionais", assinalando que a externalização do serviço de handling
noutras companhias de maior dimensão, que operam em mercados com grande
concorrência, "não demonstrou ganhos de eficiência, nem redução de
custos".Quanto aos direitos dos
trabalhadores, o Bloco alega ainda que "as experiências recentes em
empresas como a antiga Ground Force, hoje Menzies, são motivo de
preocupação", denunciando "um historial de despedimentos coletivos e
condições de trabalho muito precárias".