BE quer que República condene ataques e esclareça utilização da Base das Lajes
24 de jun. de 2025, 17:45
— Lusa
Estas posições foram
transmitidas aos jornalistas na Assembleia da República pela
coordenadora e deputada única do BE, Mariana Mortágua, que reiterou a
posição do seu partido a favor da saída de Portugal da NATO, a propósito
da cimeira da Aliança Atlântica que decorre em Haia, nos Países Baixos. "Lançámos
uma petição 'online' para quem a quiser assinar, que tem estes três
pontos: a condenação dos ataques, o respeito pelo direito internacional,
a proibição da utilização das bases em território nacional nesta
escalada militar e o reconhecimento da Palestina, como um ponto
essencial para a paz no Médio Oriente", anunciou Mariana Mortágua.A
coordenadora do BE acusou Portugal e a União Europeia de se colocarem
por omissão ao lado da "escalada da guerra", ao não condenarem os
ataques ao Irão: "Esse é o caminho que Netanyahu está a seguir, que
Trump está a seguir e que aparentemente a União Europeia e Portugal
também estão a seguir, por omissão e por cumplicidade". Mariana
Mortágua manifestou apoio ao "caminho da diplomacia que respeita o
direito internacional" representado pelo secretário-geral da Organização
das Nações Unidas (ONU), António Guterres, "que condenou os ataques de
Israel ao Irão e dos Estados Unidos da América ao Irão, que alertou para
a necessidade de cumprimento e do respeito pela Carta das Nações Unidas
e pelo direito internacional." "Esse é o
caminho que nós defendemos, para a Europa, para Portugal, um caminho da
diplomacia que respeita o direito internacional, que segue as palavras
de António Guterres, secretário-geral da ONU, e por isso exigimos que o
Estado português condene os ataques ilegais de Israel ao Irão e dos
Estados Unidos ao Irão. Não há ataques preventivos em direito
internacional", declarou.Relativamente à
Base das Lajes, nos Açores, Mariana Mortágua disse que foi utilizada
"para o reabastecimento de aeronaves dos Estados Unidos da América",
acrescentando: "Nós não estamos esclarecidos relativamente a esta
matéria. Não foi dada nenhuma garantia que a utilização da Base das
Lajes não tenha servido para uma missão que nós consideramos ilegal à
luz do direito internacional de um ataque dos Estados Unidos da América
ao Irão"."Queremos ver estas dúvidas
esclarecidas e queremos ter garantia por parte do Governo, tal como
queremos ter uma condenação desses ataques", reforçou.Quanto
às "armas nucleares que foram dadas como justificação para este ataque"
ao Irão, a coordenadora do BE alegou que são "uma mentira", referindo
que "os serviços secretos norte-americanos diziam que não existiam,
pouco antes do ataque". "É uma mentira,
como foi uma mentira as razões para ter atacado o Iraque há vários
anos atrás, o que deixou, aliás, um rastro de destruição no Iraque e no
Médio Oriente", apontou.A propósito da
cimeira da NATO que decorre nos Países Baixos, Mariana Mortágua
reiterou: "Nós insistimos, a pertença de Portugal não é na NATO,
Portugal não deve subserviência a Donald Trump e deve fazer a sua
coordenação militar no espaço europeu e sair da aliança da NATO".