BE quer que PGR apure legalidade da utilização das Lajes pelos EUA
Médio Oriente
Hoje 15:08
— Lusa/AO Online
“Nós
viemos entregar à Procuradoria-Geral da República uma queixa contra o
Governo português por, na utilização da Base das Lajes, haver violações
grosseiras quer do direito internacional, ao qual Portugal está
vinculado, por regra constitucional, quer do direito português que se
aplica precisamente à utilização da Base das Lajes”, anunciou o
coordenador nacional do BE, José Manuel Pureza, na entrega da
participação, em Lisboa.Acompanhado pelo
deputado único bloquista, Fabian Figueiredo, e pela eurodeputada,
Catarina Martins, Pureza insistiu que “ou o Governo está de acordo com a
violação grosseira do direito internacional e do direito português” ou
então “não tem espinha dorsal política” para “afastar-se da
ilegalidade”.Pureza salientou que em
Portugal, “quem tem competência para zelar pelo cumprimento integral do
princípio da legalidade, também pelos órgãos do Estado” é o Ministério
Público e, por essa razão, os bloquistas querem que Amadeu Guerra
analise a queixa e "determine a abertura do competente inquérito, caso
se confirmem indícios de relevância jurídico-penal". Interrogado
sobre o facto de o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, já
ter negado estar em causa qualquer violação, quer do acordo
estabelecido entre Portugal e os EUA para a utilização militar das
Lajes, quer do direito internacional, Pureza respondeu que já ninguém
acredita no governante.“Suponho que,
aliás, o próprio ministro Paulo Rangel não acredite no que está a dizer.
Porque dizer que a Base das Lajes não está a ser utilizada para fins
agressivos é uma pura invenção. Dizer que está a ser cumprido o
acordo da Base das Lajes é outra invenção”, defendeu.Questionado
sobre que consequências deveriam ser tiradas caso se verifique qualquer
ilegalidade, José Manuel Pureza separou o plano jurídico do plano
político.A nível político, considerou, o
Governo ficará numa posição “absolutamente insustentável relativamente a
esse facto e àquilo que está associado a esse facto, que é todo o
envolvimento do Estado português, do Governo português, na guerra contra
o Irão”.Na semana passada, o BE entregou
na residência oficial do primeiro-ministro uma carta assinada por “cerca
de 8.500 pessoas” que pedem ao Governo que proíba a utilização da
Base das Lajes pelos EUA para ataques ao Irão.