BE quer nova prestação social para evitar que se viva abaixo do limiar da pobreza
6 de dez. de 2021, 10:12
— Lusa/AO Online
“Queremos criar
uma nova prestação social que substitua o RSI [Rendimento Social de
Inserção], o Subsídio Social de Desemprego, ou os apoios pontuais aos
recibos verdes. Uma prestação que substitua a floresta de apoios
existentes e que tem por base que ninguém deve viver abaixo do limiar da
pobreza”, explicou Catarina Martins num comício no concelho da Ribeira
Grande, na ilha de São Miguel, nos Açores. A
líder do BE disse estar em causa “uma nova forma de olhar para a
Segurança Social” e uma “nova prestação que seja útil, digna,
transparente, que considere as crianças por inteiro”. A
par disso, o BE pretende “combater o trabalho informal”, permitindo
acesso a apoios por parte de quem não fez descontos para a Segurança
Social por ter trabalhado sem direito a eles. “Queremos
que uma pessoa se possa dirigir à Segurança Social e diga: «Sabe por
que não tenho acesso a subsídio de desemprego? Porque nunca me fizeram
descontos. Quem não me fez descontos foi esta entidade”, descreveu.Para
Catarina Martins, deve haver um “combate determinado ao trabalho
informal, pondo o ónus não em quem trabalha mas em quem abusou”, para
que “toda a gente tenha direito a um contrato de trabalho no país”.A líder bloquista lembrou que o subsídio de desemprego “só chega a 2% das pessoas que perdem rendimentos do trabalho”.“É quase ninguém”, alertou.“Colocar trabalhadores pobres contra trabalhadores miseráveis nunca fará nada pelo país”, vincou.Catarina
Martins revelou ainda que pretende, a nível nacional, replicar uma
medida que não passou na Assembleia da República mas foi aprovada nos
Açores “por iniciativa do BE, para recalcular a pensão das profissões de
desgaste rápido”.“Queremos
recalcular as pensões de quem se reformou com duplas penalizações do
tempo da ‘troika’ e que hoje já não existiriam. Não queremos que quem
trabalhou toda uma vida tenha de estender a mão para ficar abaixo do
limiar da pobreza”, indicou.Catarina
Martins criticou o PS porque, nos últimos dias, “parece que não há
nenhuma questão para resolver” para além da pandemia de covid-19. “Esse
é um dos mais perigosos equívocos que podíamos ter. O problema não é só
como se responde a pandemia. É aos problemas de todos os dias. O
problema de Portugal é ter uma política de baixos salários, que premeia o
abuso a quem trabalha”, sustentou.A
coordenadora criticou que os salários médios estejam “cada vez mais
colados aos salários mínimos”, a “especulação imobiliária que não parou e
as rendas mais altas do que os salários”.“Quantas
pessoas trabalham no turismo, na restauração, sem que lhes seja feito
contrato? Que, quando a pandemia para o país, ficam sem nenhum apoio
porque nunca tiveram contrato. Nada justifica que se feche os olhos a
isto”, defendeu. De acordo com Catarina Martins, “um terço dos jovens já pensa em emigrar”, pelo que “fechar os olhos é adiar Portugal”.Para
a líder do BE, nos últimos dois anos, após as legislativas de 2019, o
PS “achou que o melhor era negociar ora à direita ora à esquerda”,
deixando “intocada a estrutura que puxa os salários para baixo”.Por outro lado, disse, “nos Açores a direita chegou ao poder e disse que há um problema com os pobres”. “É extraordinário que a direita só tem problemas com os pobres, para humilhar mais os pobres”, lamentou.As
eleições legislativas antecipadas estão marcadas para 30 de janeiro e
os Açores elegem cinco deputados para a Assembleia da República.Nas legislativas de 2019, foram eleitos três pelo PS e dois pelo PSD.