BE quer gestão do mar dos Açores nas “mãos exclusivas” da região
24 de abr. de 2018, 17:42
— Lusa/AO online
Em
conferência de imprensa realizada em Ponta Delgada, Zuraida
Soares, líder parlamentar bloquista, apresentou duas ante-propostas de
lei que pretende apresentar na Assembleia Legislativa Regional para
evitar que a gestão das águas açorianas possa ficar nas mãos do Terreiro
do Paço."As
propostas de alteração agora apresentadas pretendem colocar a gestão do
mar adjacente aos Açores nas mãos exclusivas dos órgãos de governo
próprio da Região e exigir que as disposições de planeamento e gestão do
mar, na Região, tenham que ser da responsabilidade do Governo Regional e
da Assembleia Legislativa dos Açores", destacou a deputada bloquista.Segundo
explicou, estas alterações legislativas visam ainda "impedir" eventuais
concessões a privados, da exploração mineral das águas portuguesas,
quer na Região, quer na República."Perante
a concorrência entre atividades marítimas, ao invés de escolher, como
faz a atual lei, a atividade económica mais forte - leia-se, lucrativa
-, pretendemos impor que haja uma ponderação entre questões ambientais,
de economia local e de sustentabilidade futura, combatendo a selvajaria
na exploração", insistiu Zuraida Soares.Nesse
sentido, o Bloco de Esquerda/Açores propõe alterações ao Estatuto
Político-Administrativo da Região e à Lei de Bases da Política de
Ordenamento de Gestão do Espaço Marítimo Nacional.No
entender dos deputados do BE, as alterações propostas ao Estatuto
Político-Administrativo da Região "podem ser efetuadas sem qualquer
revisão constitucional" e podem ser feitas à margem dos trabalhos da
Comissão Eventual para a Reforma da Autonomia (CEVERA), criada pelo
parlamento regional."Urge
resolver as questões relacionadas com o nosso mar e a sua utilização,
por forma a evitar, a todo o custo, factos consumados e lesivos dos
interesses da região, a que a atual Lei do Mar abre portas", advertiu a
deputada do BE, acrescentando que "está na hora de colocar os Açores
primeiro".Para
Zuraida Soares, há razões políticas, ambientais e de ordenamento do
território que justificam as alterações agora propostas, que serão
primeiro discutidas e votadas na Assembleia Legislativa dos Açores, e
caso venham a ser aprovadas enviadas para a Assembleia da República,
para nova apreciação."A
nossa proposta torna claro que, no mar dos Açores, manda quem aqui
vive. Não defendemos nenhuma lógica de separatismo marítimo, mas
defendemos que cabe aos açorianos a gestão daquilo que condiciona,
diretamente, as suas vidas", clarificou o BE/Açores.