BE quer evitar privatizações em setores estratégicos nos Açores
23 de nov. de 2018, 20:30
— Lusa/AO Online
“Esta
interdição às privatizações e concessões tem como objetivo impedir
decisões danosas como a privatização da SATA - seja de 49 ou de 51% como
os patrões já exigem –, ou a concessão do porto da Praia da Vitória a
privados”, adiantou esta sexta-feira o coordenador do partido, António Lima, numa
conferência de imprensa em Angra do Heroísmo.Para
o dirigente bloquista, a privatização da Azores Airlines da companhia
aérea açoriana SATA, que efetua ligações entre os Açores e o exterior,
“é um erro estratégico que sairá caro no futuro”.“Continuamos
a defender que é imperativo definir uma estratégia para a SATA,
quantificar as necessidades de capital, além da necessidade de ter uma
administração competente e, se necessário, estudar eventuais parcerias,
mas não privatizações”, frisou.Por
outro lado, defendeu que o Porto da Praia da Vitória pode ser um
importante gerador de receita para o setor público”, criticando a
distribuição de sete milhões de euros de lucros da empresa Eletricidade
dos Açores (EDA) por privados.Para
o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda nos Açores, a única medida que
tem em vista a melhoria das condições de vida dos trabalhadores na
proposta de Orçamento da Região apresentada pelo executivo socialista é
“um aumento muito limitado da remuneração complementar”, que representa
“pouco mais de dois euros para quem aufere o salário mínimo”. “Não
fossem as medidas provenientes dos Orçamentos do Estado dos últimos
anos, e ao que tudo indica do próximo ano também, e os açorianos e
açorianas pouco ou nada sentiriam no que diz respeito a melhorias nos
seus rendimentos”, criticou António Lima.O líder bloquista não revelou o sentido de voto do partido, mas defendeu que o Orçamento da Região necessita de alterações.“O
Plano e Orçamento como está neste momento não nos agrada, não é um
documento com o qual concordamos, mas veremos quais são as propostas
aprovadas de outros partidos e logo decidiremos qual será o nosso
sentido de voto perante o documento final”, frisou.Entre
outras medidas, o BE vai propor na região o aumento do diferencial
fiscal do IRS para os 30% até ao 4.º escalão de rendimentos, o aumento
do complemento regional de pensão em 15 euros, o aumento da remuneração
complementar em 10% e a gratuitidade de frequência de creche para todas
as crianças cujos agregados tenham rendimentos até ao 4.º escalão do
IRS.O partido
defende ainda o fim dos benefícios fiscais e subsídios para empresas
privadas nas áreas da educação e saúde que concorram diretamente com
serviços públicos e não tragam mais-valias tecnológicas para a região.Outra
das propostas do BE é a alteração ao Fundo de Compensação Salarial dos
Profissionais da Pesca dos Açores (Fundopesca), penalizando os armadores
pela falta de seguro. Os
bloquistas vão reivindicar a contabilização de todo o tempo de serviço
dos professores e o pagamento de indemnização compensatória por
caducidade dos contratos aos professores contratados, exigindo ainda a
integração nos quadros dos professores precários com mais de três anos
de serviço.Também
com vista a combater a precariedade, o BE vai propor que a admissão de
empresas a concursos público, com um preço base superior a 1 milhão de
euros, só seja permitida às que tiverem no mínimo 50% dos trabalhadores
com contrato sem termo.O
Plano e Orçamento dos Açores para 2019 será discutido e votado na
próxima semana na Assembleia Legislativa da Região, onde o PS tem
maioria absoluta.