BE quer cogestão das quotas de pesca com União Europeia
Açores/Eleições
12 de out. de 2020, 14:41
— Lusa/AO Online
“Vê-se
uma clara necessidade de existir uma gestão das quotas mais próxima da
região, ou seja, uma cogestão com a União Europeia, em que o arquipélago
tenha mais poder de decisão sobre aqueles que são os nossos recursos,
havendo espécies que são pescadas quase inteiramente na região”,
declarou António Lima.No segundo dia de
campanha eleitoral para as legislativas regionais dos Açores, o BE optou
por dedicar o dia ao setor das pescas, reunindo na freguesia piscatória
da Ribeira Quente com o presidente da Federação de Pescas dos Açores,
Gualberto Rita.O dirigente do BE/Açores
considerou que, no âmbito da definição do novo quadro comunitário
2021-2017, será “essencial não só para isso (a cogestão) mas também para
definir o que será o Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas
(FEAMP), que está completamente desajustado da realidade das regiões
ultraperiféricas, nomeadamente dos Açores”.Para
António Lima, aquele fundo europeu “não tem em conta as especificidades
dos Açores, a realidade arquipelágica e, essencialmente, a realidade de
frota de pequenas embarcações, que pescam próximo da costa”, sendo que
“muitas delas têm ainda poucas condições de trabalho no interior”.O
líder bloquista pretende que o FEAMP contemple medidas para a renovação
da frota de pesca no sentido desta ter “melhores condições de trabalho,
não necessariamente pescar mais”, a par de apoios para paragens das
embarcações para a “melhor gestão dos recursos”.“Não
se pode querer uma gestão dos recursos mais consentânea com uma pesca
sustentável, mas depois não ter nenhum mecanismo para exercer esta
gestão. Por exemplo, por uma questão do recurso de uma determinada
espécie, se a região decidir parar uma parte da frota em determinada
altura, é necessário que os pescadores sejam compensados através do
FEAMP por esta paragem”, declarou.As próximas eleições para o parlamento açoriano decorrem em 25 de outubro.Nas
anteriores legislativas açorianas, em 2016, o PS venceu com 46,4% dos
votos, o que se traduziu em 30 mandatos no parlamento regional, contra
30,89% do segundo partido mais votado, o PSD, com 19 mandatos, e 7,1% do
CDS-PP (quatro mandatos).O BE, com 3,6%, obteve dois mandatos, a coligação PCP/PEV, com 2,6%, um, e o PPM, com 0,93% dos votos expressos, também um.O PS governa a região há 24 anos, tendo sido antecedido pelo PSD, que liderou o executivo regional entre 1976 e 1996.