BE propõe "alteração cirúrgica" à Lei de Finanças Regionais
OE2026
14 de nov. de 2025, 17:58
— Lusa/AO Online
A alteração visa “garantir um
aumento de transferências de aproximadamente 150 milhões de euros todos
os anos, até que haja uma revisão profunda da Lei de Finanças Regionais.
Atualmente, a transferência desta verba depende da vontade do Governo a
cada Orçamento de Estado”, adianta o BE, em comunicado de imprensa.Segundo
o Bloco, a medida vigoraria até que fosse concretizada uma revisão
profunda da Lei de Finanças Regionais, deixando de depender da “vontade
política” do executivo a cada ano.Esta é
uma das 14 propostas de alteração ao Orçamento do Estado para 2026
apresentadas pela deputada Mariana Mortágua que dizem respeito
especificamente aos Açores, segundo indicou o partido.Além
do reforço de receitas, o partido quer também incluir no Orçamento de
Estado uma norma que “obrigue o Governo da República a apresentar, no
prazo de seis meses, após a entrada em vigor do documento, um plano
detalhado com os projetos, verbas e calendarização dos investimentos da
República nas regiões autónomas”.Na nota, o
Bloco salienta que, “ano após ano, as regiões autónomas veem
sucessivamente adiados investimentos estruturantes da responsabilidade
do Governo da República, alguns prometidos há décadas por sucessivos
Governos”.“A existência de um plano de
investimento que seja público e transparente será um instrumento de
responsabilização, mas também de verificação do cumprimento dos
sucessivos governos”, lê-se na nota justificativa da proposta entregue
no parlamento.O Bloco propõe também que os
trabalhadores da administração pública nos serviços da responsabilidade
do Estado, que estejam a desempenhar funções nos Açores, recebam o
equivalente à remuneração complementar regional.O
Bloco quer ainda garantir que os trabalhadores que recebem o salário
mínimo regional fiquem isentos de IRS, propondo que nas regiões
autónomas dos Açores e da Madeira o valor de referência para calcular o
mínimo de existência seja o salário mínimo regional e não o salário
mínimo nacional.Outra das medidas
apresentadas pelo BE é a alteração ao subsídio social de mobilidade,
defendendo o fim da necessidade de adiantamentos na compra das passagens
e o fim do teto máximo de 600 euros, recentemente implementado pelo
Governo da República.O Bloco quer também o
aumento da comparticipação do Estado para o serviço de transporte
interilhas, que “já não é atualizado desde 2021”, e que “o valor volte a
ser atualizado anualmente de acordo com a variação média do Índice de
Preços ao Consumidor, como acontecia no passado”.O
BE defende igualmente a reparação urgente dos "danos ambientais
decorrentes da atividade militar dos EUA na ilha Terceira", através da
implementação das "medidas necessárias à efetiva descontaminação dos
solos e aquíferos e à mitigação dos danos existentes", bem como a
concretização da resolução da Assembleia da República, de 2018, que
aponta aos EUA "responsabilidades económicas deste processo".As
propostas do Bloco incluem ainda um aumento de 30% no financiamento da
Universidade dos Açores por parte do Estado, o reforço do financiamento à
RTP Açores, a regularização extraordinária dos trabalhadores com
vínculos precários que representem necessidades permanentes e a abertura
de um concurso extraordinário para a contratação de oficiais de justiça
nos tribunais da região.A melhoria de
condições do Comando Regional dos Açores da PSP, através do aumento do
número de agentes, melhorias nas esquadras e na frota de veículos e mais
formação são outras das propostas do BE.O
partido propõe também a requalificação do Estabelecimento Prisional da
ilha Terceira, que apesar de ser uma construção recente "apresenta
diversos problemas", e da Cadeia de Apoio da Horta, cujas instalações
"estão muito degradadas".