BE pede esclarecimentos sobre tratamentos de substituição opiácea em São Miguel
Hoje 16:12
— Lusa/AO Online
O Bloco
considera que "a ausência" de uma estratégia definida coloca em causa a
continuidade dos cuidados, a estabilidade das equipas clínicas e a
previsibilidade da resposta aos utentes.“A
definição de um modelo – que a secretária regional da Saúde disse, no
parlamento, ainda não existir - é essencial”, defende a estrutura
regional do partido, num comunicado de imprensa a informar que enviou um
requerimento a exigir esclarecimentos urgentes sobre o futuro da
distribuição de metadona em São Miguel.Em
resposta a um anterior requerimento do partido, é lembrado, o executivo
afirmou que o financiamento atribuído à ARRISCA para 2026 — 590 mil
euros, acima dos 570 mil euros de 2025 — é adequado ao quadro previsto. Contudo,
a própria associação "declarou publicamente que o montante é
insuficiente e que seriam necessários mais dois enfermeiros para
garantir cuidados ao fim de semana". O
partido sublinha que esta "divergência entre a avaliação governamental e
a avaliação operacional da entidade prestadora levanta dúvidas,
sobretudo quando o relatório de uma auditoria financeira à ARRISCA
identificou, entre 2020 e 2023, pagamentos de vencimentos acima dos
limites previstos".A relevância desta
situação "é agravada pelo facto de ter sido interrompido o serviço ao
fim de semana e de a equipa de enfermagem ter sido reduzida de 12 para
nove profissionais", aponta o BE/Açores, que considera ser importante
"apurar de que forma os restantes serviços contratualizados com a
ARRISCA estão a ser cumpridos e que novos critérios devem ser exigidos
num futuro contrato para prevenir situações semelhantes". “A
senhora secretária regional da Saúde e Segurança Social afirmou, aliás,
que a ARRISCA decidiu unilateralmente deixar de prestar o serviço de
distribuição dos tratamentos de substituição opiácea ao fim de semana,
apesar de tal serviço constar do contrato celebrado com a Direção
Regional de Prevenção e Combate às Dependências”, refere o requerimento
enviado hoje.Por outro lado, lembra a
estrutura, em audição no parlamento, a governante "afirmou também que a
passagem do tratamento de substituição opiácea para o SRS [Serviço
Regional de Saúde] permitirá avaliar a sua eficácia, sendo que este
modelo já é aplicado noutras ilhas". O Bloco quer ainda conhecer a avaliação do modelo atualmente aplicado noutras ilhas.No
requerimento ficam patentes as preocupações com as condições de
segurança e saúde dos trabalhadores da ARRISCA e é pedido acesso ao
relatório da última inspeção realizada pela Inspeção Regional do
Trabalho, incluindo "a ausência de resposta ao fim de semana".Nas
perguntas dirigidas ao Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) é questionado
ainda o calendário para definição do novo modelo de cuidados, o
cumprimento do contrato com a ARRISCA, a monitorização dos serviços
prestados, os critérios a adotar em futuros contratos e a justificação
para o recrutamento de profissionais de enfermagem antes de existir "uma
estratégia definida".