BE pede esclarecimentos sobre hemodiálise e integração do modular no hospital de Ponta Delgada
Hoje 16:26
— Lusa/AO Online
O partido adiantou que o BE entregou um requerimento ao Governo Regional, através do parlamento açoriano, para que o executivo “clarifique de que forma esta estrutura modular, que está distante do edifício principal, irá ser integrada na reorganização e redimensionamento do HDES”.A 4 de maio de 2024, o maior hospital dos Açores foi afetado por um incêndio que obrigou à transferência de todos os doentes para outras unidades de saúde da região, da Madeira e do continente, tendo sido construído um hospital modular junto ao edifício do HDES para assegurar a resposta dos cuidados de saúde.O Governo dos Açores pretende que o futuro Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, aproveite a “capacidade instalada” da infraestrutura modular construída após o incêndio, segundo disse na segunda-feira o presidente do executivo, José Manuel Bolieiro, tendo salientado que a construção de um hospital modular foi um “sucesso” apesar de, na altura, ter sido uma opção de “risco”.No requerimento, assinado pelo deputado único do BE no parlamento açoriano, António Lima, o parlamentar pretende saber que utilização será dada ao hospital modular após a conclusão das obras de reorganização e redimensionamento do HDES."Será integrado de forma permanente no HDES ou o Governo entende que manterá o seu caráter móvel, estando disponível para ser utilizado noutras ilhas?", questiona o deputado no requerimento, através do qual o BE pretende ainda saber para quando está prevista a conclusão do projeto de reorganização do HDES.O Bloco critica o facto de o Governo "não ser capaz de apontar uma data para o início das obras" e para a conclusão.O partido recorda que, em junho de 2025, durante a última reunião da Comissão de Inquérito ao incêndio no HDES, o deputado António Lima manifestou o receio de que o hospital modular, “apresentado pelo Governo como uma solução temporária, acabasse por se tornar “numa solução definitiva”.“O Governo Regional chegou a afirmar que os módulos poderiam vir a ser utilizados noutras ilhas, em caso de necessidade”, assinala ainda o Bloco, num comunicado.Para o Bloco de Esquerda, as declarações do presidente do Governo à comunicação social confirmam que, “afinal, o hospital modular é uma estrutura definitiva, e que foi dada indicação à administração para aproveitar nesta reformulação do HDES a capacidade instalada com o modular".“Mais uma vez, a opção pela construção do hospital modular a seguir ao incêndio não foi transparente", acusa o BE/Açores.No requerimento, o partido sustenta também que "não ficou claro" se o serviço de hemodiálise "será integralmente desempenhado pelo HDES, ou se a gestão será concessionada a privados"."O anúncio de que o serviço de hemodiálise irá manter-se no HDES é um recuo do Governo, que surge pouco depois de o Bloco de Esquerda ter denunciado que estava a ser preparada a entrega deste serviço a uma clínica privada, que iria ser construída no Nonagon, com o apoio da autarquia da Lagoa", aponta o BE.Para o BE/Açores, a garantia de manutenção do serviço de hemodiálise no HDES "é um passo importante", mas defende que "é preciso garantir que a gestão do serviço não vai ser concessionada a privados", alegando que seria "um erro histórico" e "sem qualquer benefício para as centenas de doentes crónicos que dependem destes tratamentos".