BE pede audição de ministro sobre “denúncias de atos ilícitos” de membros da PSP e GNR
17 de nov. de 2022, 12:53
— Lusa/AO Online
Num
requerimento enviado à agência Lusa, o BE refere que “muitos dos
comportamentos relatados configuram mesmo a prática de crimes como
discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça, incitamento à
desobediência coletiva, coação contra órgãos institucionais, difamação,
discriminação racial e religiosa, incitamento à alteração violenta do
Estado de direito, incitamento à desobediência coletiva, entre outros”. “A
confirmarem-se, por incitarem ao ódio e apresentarem uma ameaça
explícita à segurança de terceiros, os comportamentos de membros das
forças de segurança relatados assumem uma enorme gravidade e constituem
uma grosseira e flagrante violação da lei, da Constituição e uma afronta
ao Estado de Direito”, refere o partido.Um
consórcio de jornalistas de investigação divulgou uma reportagem de
Pedro Coelho, Filipe Teles, Cláudia Marques Santos e Paulo Pena na SIC,
no Setenta e Quatro, no Expresso e no Público, que mostra que as redes
sociais são usadas para fazer o que a lei e os regulamentos internos
proíbem, com base em mais de três mil publicações de militares da GNR e
agentes da PSP, nos últimos anos.Para o
BE, “qualquer comportamento ilícito por parte de membros das forças de
segurança é absolutamente intolerável, sob pena de colocar em causa a
confiança e a credibilidade de uma instituição basilar do Estado, que,
nos termos da lei, detém o monopólio do uso da força”.É
por esse motivo que os bloquistas requerem a audição urgente de José
Luís Carneiro na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos
Liberdades e Garantias “quanto às denúncias de atos ilícitos praticados
por membros da PSP e GNR”.Na quarta-feira
foi divulgado que a Inspeção-Geral da Administração Interna vai abrir um
inquérito à veracidade das notícias que referem a publicação, por
agentes das forças de Segurança, de mensagens nas redes sociais com
conteúdo discriminatório e que incitam ao ódio.Numa
nota do gabinete do ministro da Administração Interna é dito que José
Luís Carneiro determinou à Inspeção-Geral da Administração Interna
(IGAI) “a abertura de inquérito, imediato, para apuramento da veracidade
dos indícios contidos nas notícias de hoje [quarta-feira] sobre a
alegada publicação, por agentes das forças de segurança, de mensagens
nas redes sociais com conteúdo discriminatório, incitadoras de ódio e
violência contra determinadas pessoas”.