BE diz que Governo deu prioridade à imigração no lugar da saúde e habitação
7 de jul. de 2025, 09:47
— Lusa/AO Online
De acordo com Marina
Mortágua, durante os últimos dois dias a “prioridade do Governo” não foi
“descer o preço das casas, resolver o problema das urgências, proteger
os mais idosos da onda de calor”, mas sim a lei da nacionalidade.A
responsável política falava em Ponta Delgada na sessão de encerramento
da Convenção do BE/Açores, onde António Lima foi reconduzido na
liderança da estrutura regional pela terceira vez.“É
a proposta de lei número um. Foi o primeiro Conselho de Ministros desse
Governo, dificultar o acesso de crianças da China que vivem em Portugal
à cidadania portuguesa”, afirmou.A coordenadora do Bloco acusou o executivo de “andar atrás da agenda da extrema-direita”.António
Lima, por seu turno, acusou o Governo Regional de ter tido “condições
únicas para salvar a companhia aérea, com o apoio do Chega”, mas
“cometeu a proeza de torrar 453 milhões de euros em ajudas públicas à
SATA”.“E hoje a SATA está pior do que
estava em 2020. Os salários em atraso no mês de junho e as crescentes
dificuldades de tesouraria da empresa são um sério sinal de alarme.
Perante isto, o secretário regional das Finanças afirma que a SATA
Internacional ou é privatizada ou é fechada”, disse António Lima.O
coordenador regional do BE considerou que as dificuldades da SATA,
“para além da má gestão e da permanente ingerência política na gestão
diária, devem-se ao modelo de transporte aéreo criado ainda no tempo de
Passos Coelho”, o que “custa milhões todos os anos e vai custar a SATA”.António
Lima afirmou que “chegada ao Governo Regional, o que a direita fez foi
aumentar a dívida pública para baixar impostos sobre os lucros e sobre
os mais ricos”.“Tapou o buraco que a
redução de impostos aos mais ricos deixou no orçamento com dívida
pública - 900 milhões de euros em 4 anos. Este Governo Regional é, por
isso, uma espécie de Robin dos Bosques ao contrário: baixou os impostos
aos ricos para endividar pobres e remediados”, frisou.Segundo
Lima, a “grande maioria dos açorianos não beneficiou da redução de
impostos, mas vai pagar essa dívida”, sendo “uma das consequências” os
Açores serem “a região mais desigual do país”.As
autárquicas estiveram também na agenda, com o líder do BE/Açores a
afirmar que vai “defender uma política autárquica que garanta o direito à
habitação, a proteção do ambiente e a mobilidade”.O
dirigente referiu que foi feito “um esforço real de convergência entre
os partidos de esquerda nos Açores nestas autárquicas”, mas reconhece
que “na maioria dos casos, essa convergência não terá lugar antes das
eleições”.Contudo, diz que será “possível na política concreta do dia a dia”“Continuamos
disponíveis para o diálogo em Ponta Delgada para que seja possível, em
comum, dar finalmente um rumo progressista a Ponta Delgada”, concluiu.