BE denuncia que Governo adjudicou contratos a empresa de secretário regional
30 de jun. de 2022, 17:55
— Lusa/AO online
Numa
conferência de imprensa, o coordenador do Bloco na região, António
Lima, revelou que Pedro Faria e Castro foi “até maio de 2022 sócio de
uma empresa de segurança privada”, a Trust Lda., detendo um “capital que
variou entre os 60 e os 83 mil euros, ou seja, entre um quarto e um
terço do capital da empresa”.“Desde
o início de funções do subsecretário regional da Presidência [novembro
de 2020] até à cessação como sócio da Trust Lda. [maio de 2022] foram
adjudicadas por ajuste direto uma dezena de prestações de serviços à
empresa”, declarou, na delegação da Assembleia Regional em Ponta
Delgada.Para
além disso, “mais de 73% dos contratos públicos da Trust desde que a
empresa foi criada foram assinados depois de Pedro Faria e Castro ter
tomado posse como membro do Governo Regional”, denunciou António Lima.O
deputado do BE/Açores realçou que a “maioria dos contratos públicos” da
empresa foi celebrada com o Governo Regional, tendo sido ainda
realizados contratos com as autarquias da Ribeira Grande e Praia da
Vitória e com a Universidade dos Açores, que “ascenderam a 460 mil
euros”.Para
o parlamentar, é uma “vergonha que uma empresa pertencente a um membro
do Governo tenha tido negócios com o próprio" executivo açoriano,
sobretudo “através do recurso à figura do ajuste direto”.O
líder do BE/Açores evocou o regime do exercício de funções por
titulares de cargos políticos e altos cargos públicos para criticar a
"incompatibilidade flagrante" de Faria e Castro.Segundo
disse, uma empresa que “tenha como sócio um titular de cargo político
com mais 10% do seu capital" ou um capital "superior a 50 mil euros" não
pode ter "negócios com entidades públicas”.“Perante
a gravidade destes factos, que são públicos e que podem ser confirmados
por qualquer pessoa, exigem-se explicações imediatas por parte do
presidente do Governo [dos Açores]”, afirmou.No
artigo 9.º daquele regime, consultado pela agência Lusa, lê-se que os
titulares de cargos políticos "por si ou nas sociedades em que exerçam
funções de gestão, e as sociedades por si detidas em percentagem
superior a 10% do respetivo capital social, ou cuja percentagem de
capital detida seja superior a 50 mil euros não podem" participar em
"procedimentos de contratação pública".Em caso de incumprimento, o regime sancionatório prevê a demissão dos governantes e a nulidade dos atos praticados.“O
subsecretário regional da Presidência deteve um capital social superior
a 50 mil euros e superior a 10% da Trust ao mesmo tempo que a sua
empresa fazia vários negócios com o Governo [Regional]”, reforçou
António Lima.O
bloquista exigiu ao presidente do executivo açoriano, o
social-democrata José Manuel Bolieiro, uma “devida avaliação política da
situação e da aplicação da lei”.“Uma
situação dessas é para nós totalmente inaceitável. Num governo em que o
BE estivesse, ela não aconteceria e se acontecesse não permaneceria o
titular do cargo em questão. Agora, não é nosso governo. Cabe ao
presidente do Governo [Regional] decidir o que fazer”, concluiu.A agência Lusa procurou obter uma reação do Governo dos Açores, mas até ao momento tal não foi possível.