BE defende criação de agência ambiental dos Açores
29 de set. de 2020, 08:43
— Lusa/AO Online
“O Bloco de Esquerda defende a criação da
agência ambiental dos Açores, uma entidade independente do poder
governamental que passaria a assumir o papel de autoridade ambiental,
com responsabilidades de licenciamento e fiscalização”, lê-se em nota de
imprensa.Segundo os bloquistas, esta
agência ambiental dos Açores deveria seguir o modelo da Agência
Portuguesa do Ambiente e ter “autonomia administrativa e dirigentes
recrutados por concurso público e não por nomeação política”.O
BE/Açores destaca que, “atualmente, o poder da Autoridade Ambiental
está nas mãos da Direção Regional do Ambiente, que depende diretamente
do Governo Regional”, sendo um cargo de “nomeação política”.O
partido defende que a criação de uma agência ambiental dos Açores não
implicaria um “aumento de custos porque está em causa, essencialmente, a
transferência de competências da Direção Regional do Ambiente para esta
nova entidade”.Citado em comunicado, o
coordenador do Bloco na região, António Lima, diz existirem exemplos que
demonstram ser “necessário garantir maior independência em relação ao
poder político para a avaliação do ambiente”, como as descargas de
efluentes para o mar por parte da fábrica Cofaco e a criação de um
centro de visitação na Lagoa do Fogo.“O ambiente é demasiado importante para estar apenas nas mãos do governo e da política partidária”, declarou António Lima.Sobre
“transparência na administração pública”, o Bloco também criticou o
“silêncio do Governo Regional” sobre as notícias que dão conta da
anulação do concurso público para a contração de um laboratório de
rastreio à covid-19 em São Miguel e na Terceira, em que um dos
“concorrentes levanta suspeitas gravíssimas de favorecimento”.“O
que o Governo tem que fazer é, antes de mais, explicar o que se passou
com o concurso e mostrar todo o processo, com transparência, para que
não haja dúvida se houve, ou não, algum tipo de favorecimento”, afirmou o
coordenador do BE/Açores.António Lima é o
cabeça de lista do Bloco de Esquerda pelos círculos eleitorais de São
Miguel e compensação às próximas eleições regionais de 25 de outubro.Nas
anteriores legislativas açorianas, em 2016, o PS venceu com 46,4% dos
votos, o que se traduziu em 30 mandatos no parlamento regional, contra
30,89% do segundo partido mais votado, o PSD, com 19 mandatos, e 7,1% do
CDS-PP (quatro mandatos).O BE, com 3,6%, obteve dois mandatos, a coligação PCP/PEV, com 2,6%, um, e o PPM, com 0,93% dos votos expressos, também um.O PS governa a região há 24 anos, tendo sido antecedido pelo PSD, que liderou o executivo regional entre 1976 e 1996.Vasco
Cordeiro, líder do PS/Açores e presidente do Governo Regional desde as
legislativas regionais de 2012, após a saída de Carlos César, que esteve
16 anos no poder, apresenta-se de novo a votos para tentar um terceiro e
último mandato como chefe do executivo.