BE critica Governo dos Açores por “não mover uma palha” para evitar abismo na saúde
23 de mai. de 2024, 17:46
— Lusa/AO Online
“O grave
momento atual não levou o governo a mover uma palha na sua insustentável
política para a saúde”, criticou o deputado António Lima.O
também líder do BE/Açores discursava na Assembleia Legislativa, na
Horta, durante as intervenções finais do debate do Plano e Orçamento da
região para 2024.O bloquista avisou que a
região caminha para “o abismo” na saúde, evocando o prejuízo de 40
milhões de euros por ano nos hospitais e unidades de saúde de ilha e a
dívida de 195 milhões de euros a fornecedores."São um garrote financeiro que impede qualquer gestão de investir", realçou.António
Lima exigiu investimento no Serviço Regional de Saúde (SRS) e lembrou
que o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) deve “milhões” aos técnicos
superiores de diagnóstico e terapêutica desde 2022.“É
urgente um plano de capacitação e modernização do SRS, que acabe de uma
vez por todas com o subfinanciamento. É a única forma de o SRS investir
e garantir resposta às pessoas. De outro modo, caminhamos sim, para o
abismo”, insistiu.O deputado defendeu uma
“nova política social e apoios mais abrangentes”, alertando que “à
medida que o número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção
desce, a pobreza cresce e a sobrelotação habitacional também”.“Terminado
o debate na generalidade deste Orçamento, ficamos ainda mais convictos
do desfasamento entre estas propostas e as necessidades dos Açores. O
Orçamento prossegue uma política que mantém os Açores na mesma: uma
região que é a mais pobre e desigual do país”, atirou.Segundo
o parlamentar, a “precariedade agiganta-se nos serviços públicos” e a
única estratégia do executivo para o turismo passa pelo “crescimento,
sem sustentabilidade social, ambiental e económica”."Há cada vez mais gente a viver pior e sem apoio", assinalou. António
Lima também visou a situação do grupo aéreo SATA, que disse estar “à
deriva” e com uma “administração provisória há quase um mês numa
altura crítica da sua vida”.“Esta situação
é insustentável. Confirmamos pelo relatório do júri que a privatização
significa pagar 380 milhões de euros para vender a empresa. A
privatização é também ela uma perigosa aventura”, avisou o deputado,
defendendo o cancelamento da alienação da Azores Airlines.O
coordenador do BE/Açores condenou ainda a “contradição” dos partidos da
direita, lembrando que o Chega alerta para a “insustentabilidade
financeira”, mas viabiliza o Governo Regional.“Esse caminho para a insustentabilidade financeira tem tido sempre o patrocínio do Chega”, destacou.