BE crítica Governo dos Açores por insistir no endividamento zero
11 de mai. de 2023, 16:56
— Lusa
“Não aceitamos essa
política sustentada numa mentira. Sustentada em regras que não existem e
que só se aplicam aos Açores”, apontou o dirigente bloquista, durante
uma declaração política no parlamento dos Açores, reunido na Horta.António
Lima referia-se ao facto de o executivo açoriano ter “ressuscitado o
ridículo conceito de responsabilidades financeiras futuras” para
justificar as suas “políticas erradas”.Segundo
o bloquista, este conceito, que diz só existir nos Açores, determina
que as responsabilidades futuras da região atingiram, em 2021, 4.066
milhões de euros, o que significa que houve um aumento superior a 400
milhões de euros, já no decorrer da atual governação.“A
coligação prefere inventar critérios que pioram artificialmente a
situação financeira da região, só porque isso dá jeito à sua narrativa”,
lamentam os bloquistas açorianos, recordando que, às custas deste
argumento, o executivo liderado pelo social-democrata José Manuel
Bolieiro, “deixa de investir, cativa 25% do plano de investimentos e não
responde aos problemas dos Açores”.O
deputado do BE ao parlamento açoriano acusa ainda o Governo Regional de
usar este “álibi” para se escusar a combater a pobreza, aumentar
salários, combater a inflação e apoiar as famílias, que estão
“estranguladas” pelo aumento dos preços e das taxas de juros.Em
resposta às críticas do BE, o secretário regional das Finanças,
Planeamento e Administração Pública, Duarte Freitas, lembrou os “bons
resultados” registados pela economia açoriana desde que o atual
executivo está em funções.“Quem tem um
crescimento da economia há mais de 22 meses consecutivos, quem tem a
maior população empregada da história, a maioria da população ativa dos
últimos 15 anos, o menor rendimento social de inserção de muitos anos, o
menor número de programas ocupacionais dos últimos anos, quem tem um
combate à precariedade como este governo, tem obviamente créditos para
apresentar”, insistiu o governante.Por seu
lado, Vasco Cordeiro, líder da bancada do PS e antigo presidente do
Governo Regional, lamentou que o executivo de direita continue a falar
em “pesada herança” deixada pelo anterior governo socialista nas contas
públicas regionais.“Depois de ter
aumentado a dívida pública regional em dois anos em mais de 500 milhões
de euros, segundo os dados do Banco de Portugal, este Governo invoca uma
pesada herança?”, questionou o dirigente socialista, para concluir que a
“pesada herança” deste governo “resulta já de dois anos de desgoverno e
descontrole das finanças públicas regionais” e não de nada que resulte
dos governos do PS.Paulo Estêvão, do PPM,
defendeu que os “bons resultados” da economia regional resultam da
mudança de políticas económicas e sociais.“Vossa
excelência pergunta, como é possível? A resposta é simples: fazendo
diferente do que fez Vossa excelência, com mais resultados!”, sublinhou o
deputado monárquico, lembrando que a estratégia do PS “não funcionava”.Também
o líder parlamentar do PSD, João Bruto da Costa, destacou que o atual
governo de coligação tomou a liberdade de alterar políticas e rumos, a
bem da economia regional, decisão que entende dever ser elogiada e não
criticada.“Assumimos as dificuldades que
os Açores enfrentavam, quando se iniciou esta legislatura, e tomámos as
medidas que eram adequadas para enfrentar essas dificuldades”, frisou o
dirigente social-democrata.Já Pedro Neves,
do PAN, lembrou que, aquando da discussão das propostas de plano e
orçamento para 2023, criticou a opção de “endividamento zero” prevista
nos documentos, por entender que era necessário “ajudar os açorianos” a
combater o atual momento de crise económica.Por
seu lado Nuno Barata, da Iniciativa Liberal, entende que o
endividamento zero previsto no orçamento para o corrente ano, que ele
próprio propôs, é um exemplo de responsabilidade financeira de um
governo que, no seu entender, deve estar preocupado com o impacto das
finanças públicas nas gerações vindouras.