BE critica falta de “vontade política” do Governo sobre galerias de Ponta Delgada
Açores/Eleições
6 de out. de 2020, 17:11
— Lusa/AO Online
Depois de se reunir
hoje com o executivo da Câmara Municipal de Ponta Delgada, o coordenador
regional do Bloco de Esquerda, António Lima, afirmou que “não há nada
que impeça a ASTA Atlântida" de começar a demolição das galerias
inacabadas da Calheta Pêro de Teive e arrancar com as obras do hotel e
espaços verdes que estão planeados para o local.O
líder bloquista considera o impasse em que a empreitada se encontra
“absolutamente inaceitável”, defendendo que “uma coisa são os prazos
legais, outra coisa é a vontade política, que tem que existir, porque
este processo é um processo que tem prazos legais, mas tem decisões
políticas que o precedem”.“Não se
compreende como é que o Governo Regional não estabeleceu um prazo para a
conclusão da obra, tal como fez com o Hotel Azor”, outro investimento
do Fundo Discovery, situado na avenida marginal de Ponta Delgada, junto
às galerias da Calheta, prosseguiu o cabeça de lista do BE às eleições
regionais pelos círculos de São Miguel e de compensação.António
Lima destacou ainda que “o município está, neste momento, a tentar
perceber o estado daquele local e está, dentro das suas possibilidades
legais, a tentar ter uma intervenção, no sentido de tomar posse
administrativa e, eventualmente, partir para a demolição, em último
recurso”, mas frisou que não vê “qualquer vontade do Governo em
pressionar o Fundo Discovery em avançar com a demolição e com a obra”.Em
29 de setembro, a Câmara Municipal de Ponta Delgada anunciou a nomeação
uma comissão de peritos para avaliar a eventual execução coerciva da
demolição e requalificação, com recurso a posse administrativa do
terreno pelo município, das galerias comerciais da Calheta Pêro de
Teive.A Câmara Municipal tinha já admitido
uma "eventual posse administrativa" do terreno das galerias comerciais
da Calheta Pêro de Teive, como resposta a um processo “que se arrasta há
mais de dez anos”, lembrou, então, a presidente do município, a
social-democrata Maria José Duarte.A
autarca lembrou que, em 01 de setembro "ficaram concluídas, em tempo
prioritário, todas as diligências públicas da Câmara Municipal para o
licenciamento final da obra de construção de uma unidade hoteleira no
mesmo local, requerido pela ASTA Atlântida - Sociedade de Turismo e
Animação, S.A.".Após ter enviado, em 09 de
setembro, uma carta à empresa "notificando-a, nos termos da lei, para,
no prazo de 10 dias úteis, informar o município sobre o início das obras
e respetivo cronograma", esta informou que "tenciona dar início à
execução das obras dentro de alguns meses".A
empresa adiantou que "apresentará um cronograma de execução das obras
que obedecerá ao prazo máximo de 16 meses" e que, "ainda assim, tal "não
prejudica o recurso aos mecanismos legais gerais de prorrogação dos
prazos".Face à "indefinição da resposta à
notificação, que solicitava informação concreta sobre o início das obras
e com que cronograma, e considerando ainda os antecedentes do
processo", a autarca referia que "parece evidente que aquela zona nobre
de Ponta Delgada continuará, por mais longos meses, com ruínas que põem
em causa a saúde, a segurança e a estética da cidade".O
processo arrasta-se desde 2008, altura em que foi anunciado um novo
espaço comercial na marginal de Ponta Delgada, mas que nunca foi
terminado.Em 2016, o fundo Discovery
apresentou uma "mudança radical" para as inacabadas galerias comerciais
da Calheta Pêro de Teive, que passava por demolições, redução de
volumetrias e criação de um jardim público, mas que também ainda não
arrancou.