BE considera que desfecho era inevitável mas ainda há explicações a dar
TAP
7 de mar. de 2023, 09:32
— Lusa/AO Online
“A partir do
momento em que houve uma pressão pública para que o caso fosse
investigado (…) toda esta pressão tornou completamente inevitável este
desfecho de, uma vez detetada uma irregularidade, exonerar os principais
responsáveis por essa irregularidade”, afirmou a deputada do Bloco de
Esquerda (BE) Mariana Mortágua, em declarações aos jornalistas na
Assembleia da República. Mariana Mortágua
defendeu que há algumas perguntas às quais a comissão de inquérito à TAP
poderá responder, afirmando que é preciso perceber se o ministério das
Finanças e o administrador financeiro da TAP tinham conhecimento da
indemnização de 500 mil euros atribuída à ex-administradora da TAP
Alexandra Reis.“Continua a ser uma
perplexidade como é que foi necessário que todo este caso viesse a
público e que o ministro das Finanças tenha tido conhecimento dele ao
mesmo tempo que qualquer cidadão teve, sendo que o ministro das Finanças
tinha uma responsabilidade acrescida que era a tutela sobre a TAP”,
disse. A deputada do BE disse querer ainda
perceber que outras decisões a atual administração da TAP tomou de
"forma leviana" e "cometendo irregularidades", uma vez que “a mesma CEO e
a mesma administração tomou levianamente a decisão de dar uma
indemnização de 500 mil euros" a uma administradora.“Esta
administração e os atos lesivos desta administração têm de ser passados
a pente fino, porque há indícios de uma administração que toma este
tipo de decisões contra os interesses da TAP e cometendo até algumas
irregularidades”, disse. Por último,
Mariana Mortágua referiu também que é preciso olhar para o processo de
privatização da TAP de 2015, tendo em conta as notícias recentes segundo
as quais o ex-acionista da companhia aérea David Neeleman terá
concretizado essa privatização com dinheiro da própria companhia.“Quem
é que sabia desta operação de David Neeleman, será que o Governo atual
tinha ou não tinha conhecimento desta operação? Tendo conhecimento,
quais seriam e quais foram as consequências para a nulidade da
privatização em causa e sobretudo qual o sentido de voltar a insistir na
privatização de uma empresa que é estratégica?”, perguntou Mariana
Mortágua. Referindo-se às palavras
utilizadas por Fernando Medina na conferência de imprensa de hoje, a
deputada do BE considerou que não cabe ao ministro das Finanças “decidir
quando é que se vira a página”.“Espero
que este virar de página não seja concluído com uma privatização que
volte a entregar a TAP a um fundo abutre, a um qualquer acionista que a
vai destruir”, disse.Questionada se a
privatização da TAP em 2015 pode ser alvo da comissão de inquérito,
Mariana Mortágua que aquela comissão tem “um ponto específico que visa
avaliar atos que possam ter sido lesivos do interesse” da companhia
aérea.“Isso tanto se aplica à atual
administração, como a administrações anteriores, e o período temporal em
que a comissão de inquérito se aplica é em particular nestes últimos
anos, mas nada impede que se possa ir mais atrás quando surgem factos
novos”, referiu. A IGF concluiu que o
acordo celebrado para a saída de Alexandra Reis da TAP é nulo, adiantou
hoje o Governo, que vai pedir a devolução da indemnização.Na
sequência das conclusões do relatório, o Governo exonerou o presidente
do Conselho de Administração e a presidente executiva da TAP, Manuel
Beja e Christine Ourmières-Widener, e anunciou que escolheu Luís Silva
Rodrigues, que atualmente lidera a Sata, para assumir ambos os cargos.