BE acusa PSD de “contradição gigantesca” devido a acordo com o Chega
Açores/Eleições
10 de nov. de 2020, 12:44
— Lusa/AO Online
Na segunda-feira, o
líder do PSD, Rui Rio, concordou com os quatro objetivos do Chega para
viabilizar o governo nos Açores, considerando que aquele partido "se
moderou" na região, e acusou PS e BE de andarem de "cabeça perdida"."Eu
julgo que o PSD está envolto numa contradição gigantesca. O doutor Rui
Rio já disse uma coisa e o seu contrário várias vezes. Disse que não
faria um acordo com um partido xenófobo, racista, que apela ao ódio, e
fez esse acordo", respondeu Catarina Martins aos jornalistas, no final
de uma reunião com a CGTP, em Lisboa.Na
perspetiva da líder do BE, independentemente dos argumentos do PSD, Rio
"está a fazer o que sempre disse que não faria", sendo este
"infelizmente um caminho a que se tem assistido nalguns países da Europa
que é quando direita que se diz democrática abre a porta às forças que
não são democráticas", o que tem "custos graves"."E
se alguém teve alguma dúvida sobre os custos que tem para a democracia e
para quem acredita na democracia abrir à porta ao discurso do ódio,
xenófobo, autoritário, veja bem o que está a acontecer nos Estados
Unidos em que um presidente [Donald Trump] perde as eleições e diz que
não se quer ir embora e que não quer sequer que os votos sejam
contados", comparou.Para Catarina Martins, "o que acontece no resto do mundo valia a pena ser observado pelo doutor Rui Rio"."Nestes
momentos há sempre quem tenha tentações de discursos que apelam à raiva
e à revolta sem nenhuma solução. Que o PSD seja um desses partidos é só
uma constatação triste", lamentou.Na
segunda-feira, em declarações aos jornalistas, à margem de uma reunião
por videoconferência com a Confederação Empresarial de Portugal - CIP,
Rui Rio disse concordar com os quatro objetivos que o Chega defendeu
para viabilizar o novo Governo Regional."Fazer
uma proposta de redução dos deputados regionais. Isto é fascista? É de
extrema direita? É uma proposta fascista querer baixar o número de
pessoas com o rendimento mínimo nacional garantido e terem emprego e
rendimento? Isto é fascista? Criar um gabinete de luta contra a
corrupção. É fascista lutar contra a corrupção? Reforçar a autonomia dos
Açores", interrogou o líder dos sociais-democratas.Questionado
pelos jornalistas se o partido tinha, ao aceitar negociar com o Chega
uma solução política, "passado a linha vermelha", Rui Rio negou."O
PSD passou a linha vermelha de querer baixar os deputados regionais, de
querer baixar o número de pessoas desempregadas e de combater a
corrupção. Foi essa a linha vermelha que o PSD passou", disse, deixando
críticas ao primeiro-ministro, Partido Socialista e Bloco de Esquerda."O
dr. António Costa, o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda estão
efetivamente de cabeça perdida e estão claramente a mentir aos
portugueses", referiu, acrescentando que os mesmos "não tem tido noção
do ridículo que estão a dizer".José Manuel
Bolieiro foi indigitado no sábado presidente do Governo Regional pelo
representante da República para os Açores, Pedro Catarino.O
PS venceu as eleições legislativas regionais, no dia 25 de outubro, mas
perdeu a maioria absoluta, que detinha há 20 anos, elegendo 25
deputados.PSD, CDS-PP e PPM, que juntos
representavam 26 deputados, anunciaram esta semana um acordo de
governação, tendo alcançado acordos de incidência parlamentar com o
Chega e o Iniciativa Liberal (IL).Com o
apoio dos dois deputados do Chega e do deputado único do IL, a coligação
de direita soma 29 deputados na Assembleia Legislativa dos Açores, um
número suficiente para atingir a maioria absoluta.