BE acusa PSD de “ceder à extrema-direita” e pensar menos em princípios
6 de nov. de 2020, 19:41
— Lusa/AO online
O
líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, reagiu hoje, nos Passos
Perdidos do parlamento, em Lisboa, ao anúncio feito pelo Chega esta
manhã de que “vai viabilizar o governo de direita nos Açores”, após ter
chegado a um acordo com o PSD em “vários assuntos fundamentais” para a
Região Autónoma e para o país.“A
construção de um governo regional feita em cima de uma cedência à
extrema-direita é a normalização para a democracia exatamente dos
partidos que a querem destruir”, criticou.Na
perspetiva de Pedro Filipe Soares, o PSD, “ao destruir a barreira entre
os democratas e os partidos que atacam a democracia, está, na prática, a
construir um futuro perigoso para o país”.“Nós
acreditamos que o poder não se alcança de qualquer modo e por isso a
escolha do PSD será uma escolha daqueles que, ao destruir essa barreira,
entre os democratas e aqueles que atacam a democracia, pensa muito mais
no curto prazo, muito menos em princípios e deixa para trás o país”,
condenou.O líder parlamentar e dirigente
bloquista recorreu ao exemplo dos Estados Unidos, onde o presidente
“Donald Trump ataca um dos fundamentos da democracia que é o direito ao
voto”.“O PSD, ao dar o passo que está a
dar, em ceder à extrema-direita, está a repetir os mesmos erros que pela
Europa fora outros partidos também cometeram e que foram o início do
seu fim”, comparou.De acordo com um
comunicado do Chega, divulgado esta manhã, o futuro Governo regional
açoriano “comprometeu-se a alcançar as metas de redução significativa de
subsidiodependência na região e de criação de um gabinete regional de
luta contra a corrupção”.Por outro lado,
este futuro executivo comprometeu-se, segundo o partido liderado por
André Ventura, a “desencadear, nos termos das suas competências
próprias, um projeto de revisão constitucional regional que inclua,
entre outros aspetos, a redução do número de deputados na região
autónoma dos Açores”.Já quanto à exigência
que tinha sido feita pelo partido de que o PSD nacional participasse no
processo de revisão constitucional iniciado pelo Chega, o partido
liderado por André Ventura diz ter obtido garantias para o futuro.“Neste
sentido, o Chega informará hoje o sr. Representante da República na
Região Autónoma dos Açores de que se encontra indisponível para
viabilizar um governo socialista na Região e, através dos seus deputados
eleitos, votará favoravelmente ao governo liderado por José Manuel
Bolieiro”, refere o comunicado.O
representante da República para a Região Autónoma dos Açores, Pedro
Catarino, começa hoje a ouvir os partidos que elegeram deputados à
Assembleia Legislativa açoriana, tendo em vista a indigitação do futuro
presidente do Governo Regional.O PS elegeu
25 deputados e perdeu a maioria absoluta que detinha há 20 anos na
região e esta semana PSD, CDS-PP e PPM anunciaram uma "proposta de
governação profundamente autonómica", um "governo dos Açores para os
Açores" e com "total respeito e compreensão pela pluralidade
representativa do povo".PSD, CDS-PP e PPM
somam 26 deputados, juntando-se agora o apoio dos dois do Chega,
faltando um voto para garantir a maioria absoluta de 29 parlamentares.A
lei indica que o representante da República no arquipélago nomeará o
novo presidente do Governo Regional "ouvidos os partidos políticos"
representados no novo parlamento açoriano.