BE acusa Costa de nunca aparecer na hora de assumir responsabilidades
10 de abr. de 2023, 17:17
— Lusa/AO Online
“Temos,
na verdade, um primeiro-ministro com muitas explicações para dar ao
país, que gosta de aparecer sempre que faz anúncios, mas depois nunca
aparece na hora de assumir as responsabilidades ou faz de conta que não
sabia”, afirmou Catarina Martins no decorrer de uma visita à zona
histórica de Castelo Branco, por causa da política de habitação.A líder do BE registou também as palavras proferidas hoje pelo Presidente da República.“Disse
[Marcelo Rebelo de Sousa] que um dos problemas é que não vale pedir
eleições. É preciso apresentar alternativas. Um dos enormes problemas do
governo português é o seu enorme desgaste, a sua falta de resposta”,
disse.Catarina Martins sustentou que só o Presidente da República tem a capacidade de dissolver a Assembleia da República.“Temos
um governo de maioria absoluta. Uma maioria absoluta é assim, e quem
não se lembrava das maiorias absolutas do PS, acho que agora, da pior
maneira, já se lembra bem do que é uma maioria absoluta do PS. É verdade
que é incompreensível a desresponsabilização permanente que o
primeiro-ministro faz quando as coisas correm mal”, salientou.A coordenadora do BE disse que ouviu hoje António Costa “a dizer que era verdadeiramente inaceitável uma atuação na TAP”.“Eu
pergunto: E então um milhão que recebeu de reforma um ex-administrador
que já ganhava 420 mil euros de salário anual. Isso não era inaceitável?
E aconteceu. Sobre isso António Costa não tem nada a dizer? Não tem
nada a dizer sobre a instrumentalização permanente das empresas públicas
ou o facto de o PS achar que enquanto aparelho partidário se confunde
com o Estado e com as empresas públicas e pode dar ordens e manipular as
empresas ao seu interesse, em vez de ser o interesse público? E aqui
não é inaceitável?”.Para a líder do BE, “ainda bem” que o seu partido propôs a comissão de inquérito à TAP.“Acho
que se alguém tinha dúvidas sobre a necessidade de se esclarecer tudo o
que se passava na TAP, sabe hoje que foi importante que o BE tenha dado
esse passo, para sabermos o que está a acontecer. Nós podemos não
gostar das notícias, mas era pior se continuássemos sem saber o que se
estava passar na TAP”, frisou.Catarina Martins defendeu que “toda a verdade tem que ser esclarecida e todas as responsabilidades têm de ser apuradas”.A
dirigente bloquista considerou haver outras perguntas que ficam no ar,
nomeadamente, como é a relação do governo noutras empresas, com outros
administradores e como é este sistema de privilégios.Questionada
sobre a apresentação de uma eventual moção de censura ao Governo, a
coordenadora do BE disse que nesta altura não faz sentido.“Nesta altura achamos que não tem sentido. Quando for a altura será feito”, assegurou.Durante
a visita, a dirigente bloquista ouviu algumas preocupações de moradores
e explicações sobre a situação atual do bairro do Castelo.