BE/Açores questiona Governo sobre ciberataque a Hospital de Ponta Delgada
29 de jun. de 2021, 17:08
— Lusa/AO online
Em
requerimento entregue no parlamento açoriano, o partido pergunta
ao secretário regional da Saúde e Desporto, Clélio Meneses, “que medidas
estão a ser implementadas de modo a resolver os problemas a que os
sistemas informáticos do HDES [Hospital do Divino Espírito Santo] estão
neste momento sujeitos”.“No
espaço de menos de um mês, o HDES registou dois momentos de graves
problemas no sistema informático que provocaram fortes constrangimentos
na sua atividade clínica, sendo que atualmente os problemas se prolongam
há mais de uma semana”, lê-se no comunicado enviado pelo BE.O
responsável pela tutela da Saúde admitiu, na segunda-feira, que o
ataque terá causado atrasos na divulgação de testes negativos à
covid-19."A
nossa preocupação foi notificar os casos positivos. Está a haver um
trabalho de recuperar todos aqueles negativos que não foram notificados,
por impossibilidade. Não foi por incompetência, não foi por má vontade,
foi por impossibilidade de proceder a esta notificação", afirmou Clélio
Meneses.Para
o BE, “a situação provocada pelas falhas no sistema informático do
Hospital do Divino Espírito Santo é muito grave” e, por isso, insiste em
“saber quais as consequências para a atividade clínica do hospital e
quais as entidades responsáveis pela manutenção e pela segurança dos
sistemas informáticos que foram alvo de ataque”.No
requerimento redigido pelo grupo parlamentar do BE, os dois deputados
questionam as causas dos “problemas informáticos que se arrastam há mais
de um mês” e “que ações concretas foram realizadas após o ataque
informático reportado a 31 de maio para prevenir que a situação se
repetisse”.O
partido “lamenta a falta de transparência do Conselho de Administração
do hospital, que, num momento em que já era do conhecimento público o
adiamento de muitas consultas, as dificuldades em aceder a exames e a
impossibilidade de os médicos passarem receitas, por exemplo”, insistia
em afirmar que não havia “quaisquer cancelamentos ou adiamentos na
atividade do hospital”.Nesse
sentido, os parlamentares querem saber quantas consultas e exames foram
cancelados ou adiados e “que procedimentos e atos clínicos e
administrativos ficaram prejudicados ou impedidos de serem realizados
durante as falhas no sistema”.Em
24 de junho, o Governo dos Açores informou ter sido detetada "uma
tentativa de intrusão externa no sistema informático" do Hospital de
Ponta Delgada, pelo que foi acionado um plano de contingência."Tendo
sido detetada uma tentativa de intrusão externa no sistema informático
do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, o Conselho de
Administração informa que o mesmo está a funcionar com condicionantes,
resultantes da necessidade de o defender e de repelir qualquer ação
maliciosa", lia-se na nota enviada às redações nesse dia.Já em 31 de maio uma falha no sistema informático tinha causado atrasos nas consultas médicas.