BE/Açores quer regresso ao período experimental de trabalho de três meses
21 de fev. de 2020, 16:51
— Lusa/AO online
"Propomos
a adaptação à região do Código do Trabalho com vista a revogar o
alargamento do período experimental de três para seis meses para quem se
encontra à procura do primeiro emprego e desempregados de longa duração
na Região Autónoma dos Açores", afirmou hoje o coordenador do Bloco de
Esquerda no arquipélago António Lima, em conferência de imprensa, em
Ponta Delgada. O diploma que alterou o
Código do Trabalho foi publicado em 04 de setembro, depois da aprovação
na Assembleia da República, com os votos favoráveis do PS, a abstenção
de PSD e CDS-PP e os votos contra dos restantes partidos. O
diploma foi alvo de um pedido de fiscalização sucessiva ao Tribunal
Constitucional entregue pelo PCP, pelo BE e pelo PEV em 25 de setembro.
Em causa estavam o período experimental, as alterações nos contratos de
muito curta duração e a caducidade das convenções coletivas. Entre
as alterações encontra-se o alargamento do período de experimental de
três para seis meses para trabalhadores à procura do primeiro emprego e
desempregados de longa duração. O
BE/Açores quer "somente repor aquilo que estava" em vigor antes das
alterações, ou seja, voltar a fixar esse período em três meses.António
Lima defendeu que um período experimental de seis meses levará os
empregadores a recrutar trabalhadores apenas para "períodos de maior
intensidade de laboração", como a época alta."Terminado
o período experimental, os trabalhadores voltam para o desemprego sem
qualquer indemnização, sem qualquer compensação, num verdadeiro
carrossel da precariedade, porque de seis em seis meses vão para casa
sem qualquer tipo de indemnização", afirmou. O
líder dos bloquistas açorianos salientou que em 2019 (segundo os dados
do Instituto Nacional de Estatística) os Açores registavam cerca de 20
mil trabalhadores com contrato a prazo, certa de 20% da população
empregada. "Os Açores registam a maior
proporção de trabalhadores por conta de outrem com contrato a termo,
comparativamente à proporção do todo nacional. A precariedade
encontra-se associada ao fomento da pobreza, que na nossa região é mais
grave do que a nível nacional", destacou. O
BE/Açores informou que também apresentou um projeto de resolução para
travar os incentivos que permitem a contratação a prazo nos programas de
emprego do Governo Regional dos Açores, como o FILS, o Integra e o
Emprego+."Propomos, através de um projeto
de resolução, a alteração aos programas de emprego que apoiam
financeiramente a contratação a termo no sentido destes passarem a
apoiar apenas a contração sem termo", explicou.António
Lima frisou que, com as propostas apresentadas pelo Bloco, o executivo
regional açoriano tem uma oportunidade para demonstrar que quer fazer um
"combate sério" à precariedade. "Tem
aqui uma oportunidade para esclarecer que se quer mesmo fazer um combate
sério e consequente à precariedade nos Açores", acrescentou. Recentemente,
o Governo Regional, do PS, anunciou que irão ser integrados até ao
final do mês 189 funcionários nos quadros da administração pública.