BE/Açores quer ouvir Governo Regional sobre “incumprimento” de incineradora
18 de ago. de 2022, 11:22
— Lusa/AO Online
De
acordo com o Bloco, o Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de
Execução (RECAPE) da incineradora de São Miguel “demonstra que o
projeto não cumpriu as metas de reciclagem impostas na Declaração de
Impacte Ambiental (DIA) para 2020”.“Perante
este incumprimento, que coloca em causa o licenciamento ambiental da
incineradora de São Miguel, o Bloco quer ouvir no parlamento a diretora
regional do Ambiente e Alterações Climáticas”, referem os deputados
bloquistas, em nota de imprensa.Os
deputados recordam que, em março, PS, PSD, CDS-PP e Chega “chumbaram a
proposta do Bloco para travar a central de incineração em São Miguel,
que fazia depender a emissão da licença de funcionamento da demonstração
cabal de que a região seria capaz de cumprir as metas de reciclagem da
União Europeia”.Segundo o BE/Açores, os
dados do Sistema Regional de Informação sobre Resíduos “mostram que São
Miguel apenas atingiu uma taxa de reciclagem de resíduos urbanos de
32,6% em 2020, quando o exigido é de 50%”.Para
os deputados do Bloco “está em causa o cumprimento das futuras metas de
preparação para reutilização e reciclagem de resíduos sólidos urbanos,
uma vez que o atual projeto prevê uma central com capacidade para
incinerar 55 mil toneladas de resíduos, mais de metade do que é
produzido na ilha de São Miguel”.O
requerimento a solicitar a audição da Diretora Regional do Ambiente e
Alterações Climáticas foi enviado à Comissão de Assuntos Parlamentares,
Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, com caráter de urgência.O
movimento "Salvar a Ilha" denunciou, entretanto, a 10 de agosto, que a
incineradora projetada para a ilha de São Miguel, Açores, “não cumpriu”
com as condições da Declaração de Impacte Ambiental (DIA), reiterando
que o projeto não pode ser autorizado.Em
comunicado, o movimento recordou que a 03 de agosto terminou o período
de consulta pública do Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de
Execução (RECAPE) da incineradora de resíduos de São Miguel, que tem
por “objetivo a verificação" dos "critérios estabelecidos na DIA”.Segundo
o movimento, o relatório confirma que o “projeto não cumpriu as
condições exigidas” na DIA, uma vez que a ilha de São Miguel não atingiu
uma taxa de reciclagem de 50% em 2020, tendo aquele valor ficado nos
32,6%.“Há um incumprimento irreversível,
expressivo e objetivo de uma condicionante imposta pela DIA aprovada
condicionalmente em 2011”, lia-se na nota de imprensa.Face
ao “incumprimento” das taxas de reciclagem, uma “condição imperativa”
da DIA, o movimento “considera que deixaram de estar reunidos os
pressupostos para qualquer tipo de licenciamento ou autorização do
projeto”.Em 2016, a Associação de
Municípios da Ilha de São Miguel decidiu, por unanimidade, avançar com a
construção de uma incineradora de resíduos, orçada em cerca de 60
milhões de euros.O contrato entre a
italiana Termomeccanica e a MUSAMI – Operações Municipais do Ambiente
para a construção da incineradora, num investimento de 58 milhões de
euros, foi assinado em fevereiro de 2021, apesar das contestações
judiciais por parte de associações ambientalistas.