BE/Açores quer esclarecimentos sobre privatização da hemodiálise no HDES
4 de nov. de 2025, 12:28
— Lusa
O partido
informou em comunicado que o deputado regional António Lima "vai propor a
audição no parlamento, com caráter de urgência, da secretária regional
da Saúde, da diretora do serviço de nefrologia do HDES, das duas
empresas que realizaram os planos funcionais para a reorganização e
redimensionamento do HDES e da Associação Portuguesa de Insuficientes
Renais (APIR)".O objetivo da proposta é
obter esclarecimentos sobre a intenção do executivo açoriano de
privatizar o serviço de hemodiálise, compreender por que motivo os
planos funcionais do hospital apontam para a externalização e, ainda,
para perceber que empresa privada vai realizar este serviço."Embora
não exista nos Açores qualquer clínica privada que realize hemodiálise,
o Governo Regional anunciou que vai externalizar este serviço
essencial", referiu o BE/Açores na nota.Acrescentou
que a unidade de hemodiálise do HDES "está há muito tempo a precisar de
obras de ampliação e [de] remodelação para tratar dos doentes com
dignidade e para aumentar a capacidade por forma a responder às
necessidades".A obra "esteve prevista nos
Planos de Investimentos da Região desde 2023 - onde foi incluída por
proposta do bloco -, mas desapareceu agora da proposta de Plano para
2026 entregue no parlamento pelo Governo Regional", observou.Hoje,
após uma reunião com a APIR, o líder e deputado regional do bloco
açoriano referiu que "ou o Governo está a colocar em risco os doentes ao
encerrar o serviço sem a garantia de que alguém o vai prestar no
privado ou, então, já tem o negócio fechado com alguma empresa".No
dia 21 de outubro, admitindo que será necessário a externalização da
hemodiálise, a titular da pasta da Saúde nos Açores, Mónica Seidi, disse
que não será no imediato, mas "naturalmente fará parte do plano futuro
do HDES"."Não vemos nenhuma racionalidade
nesta decisão" de privatizar o serviço de hemodiálise, mas apenas "uma
vontade e uma visão claramente ideológica para que a saúde seja prestada
cada vez mais por privados, garantindo os lucros através do Orçamento
da Região", disse hoje António Lima.Para o
deputado do BE/Açores, esta opção do Governo Regional "pode provocar
dificuldades de recursos humanos, porque além dos profissionais que
serão contratados para a clínica privada, o hospital terá sempre de ter
uma unidade para responder aos doentes em situação aguda".Além
disso, concluiu, "como defende a APIR, ter o serviço de hemodiálise no
hospital dá mais garantias de segurança aos doentes, porque é importante
ter acesso a um serviço de urgência e a outras especialidades caso haja
alguma intercorrência no tratamento".Nos
Açores existem cerca de 400 doentes que fazem hemodiálise, segundo a
delegação regional da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais.